Representantes das facções palestinas rivais Fatah e Hamas chegaram nesta quarta-feira, no Egito, a um acordo sobre a formação de um governo e eleições. "As conversações terminaram com um entendimento total nos assuntos de estudo como a formação de um governo provisório com funções definidas e a fixação de uma data para as eleições", revelou uma nota publicada pela agência Mena.
O entendimento aconteceu durante as negociações entre uma delegação do Fatah, presidida por Azzam al-Ahmad, e outra do Hamas, liderada por Moussa Abu Marzouk. A reunião ocorreu depois de um convite do Egito às facções palestinas para realizar consultas sobre a reconciliação. O Egito convocará nos próximos dias uma reunião global, incluindo todas as facções e forças políticas palestinas, para assinar um acordo de consenso nacional no Cairo. As conversas entre as delegações continuam, com a participação de seis membros do Hamas e três do Fatah.
Hamas e Fatah governam de forma separada a faixa de Gaza e Cisjordânia, respectivamente, desde que os primeiros tomaram o poder pela força em Gaza, no verão de 2007. O grupo islamita venceu um ano antes as eleições legislativas palestinas. Todos os esforços realizados até o momento para a reconciliação nacional foram infrutíferos.
Posições divergentes - Aos olhos do mundo, Hamas e Fatah diferem basicamente na maneira como lidam com o conflito com Israel. O Fatah, ao menos oficialmente, quer criar um estado palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e aceita ter Israel como país vizinho. O Hamas quer destruir Israel e implantar um estado islâmico na Palestina.
Matanças entre palestinos, como as que ocorrem em Gaza, pouco têm a ver com essa divergência ideológica. Trata-se basicamente de uma disputa de poder, em que está em jogo o controle político, militar e econômico da Faixa de Gaza. Na origem do conflito está a vitória do Hamas nas eleições parlamentares de janeiro de 2006, rompendo o monopólio do Fatah sobre a AP.
O domínio sobre as forças de segurança é um dos pontos sensíveis da disputa. No acordo que deu origem ao governo de unidade palestino, o Fatah ficou com o Ministério do Interior, que controla a polícia – para desgosto dos militantes do Hamas.
Ambiente pacífico - Trata-se da primeira reunião no Egito entre delegações do Fatah e do Hamas após o triunfo da revolução que acabou com a renúncia do presidente Hosni Mubarak em 11 de fevereiro. Segundo a rede de televisão Al Jazeera, as negociações entre as facções estão transcorrendo em um ambiente positivo e sob a mediação do novo chefe dos serviços secretos egípcios, Murad Muafi.
Contudo, o especialista palestino independente Abdel Qader Yassine disse que ainda é cedo para considerar o entendimento como um acordo definitivo porque o Hamas está pressionando por uma participação maior de seus membros nas forças de segurança. "Os requisitos (para um acordo) agora são mais complicados porque o Hamas exige mais e o Fatah está fragilizado depois de perder o apoio do ex-presidente egípcio, Hosni Mubarak", apontou Yazin.
Yassine considera que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, não conseguirá chegar a uma reconciliação com o Hamas porque Israel não deseja que isso ocorra.