Onda de Revoltas Tomada por uma onda de protestos, a Síria retirou oficialmente, nesta quarta-feira, a candidatura para ocupar um lugar no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O país sofreu pressão internacional para retirar a candidatura em função da repressão brutal do governo a manifestações contra a ditadura no país.

O posto deixado pela Síria no grupo de indicados pela Ásia ao Conselho foi ocupado pelo Kuwait.

Os países da UE (União Europeia) e os Estados Unidos pressionaram para evitar a possibilidade de a Síria obter uma vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem sede em Genebra.

Segundo o diplomata indiano Manjeev Singh Puri,, em uma reunião fechada com os membros asiáticos das Nações Unidas a Síria concordou em trocar com o Kuwait seu lugar na fila pelo assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU. O Kuwait iria concorrer em 2013

REPRESSÃO

Nesta quarta-feira, tanques bombardearam um distrito residencial na cidade síria de Homs, segundo uma representante de associação de direitos humanos. O ataque aconteceu na terceira maior cidade da Síria, que surge como o centro mais populoso a desafiar o poder do ditador Bashar al Assad.

No início, Assad respondeu à inquietação política --o desafio mais sério aos seus 11 anos no poder-- prometendo mudanças e reformas. Ele concedeu cidadania aos apátridas curdos e, no mês passado, acabou com o estado de emergência que durava 48 anos.

Mas o ditador também enviou o Exército para reprimir os dissidentes em Deraa, onde as manifestações começaram no dia 18 de março, e em outras cidades, deixando claro que não arriscaria perder o forte controle que a sua família mantém na Síria nos últimos 41 anos.

Um primo do ditador disse que a família Assad não vai desistir. "Nós ainda estamos aqui. E nós vamos chamar de batalha até ela terminar (...) Eles precisam saber que, quando nós sofremos, nós não vamos sofrer sozinhos", disse Rami Makhlouf ao "New York Times".

MORTES DE SOLDADOS

Dois soldados morreram e cinco ficaram feridos também nesta quarta-feira em confrontos entre o Exército e grupos armados na província de Deraa (sul) e em Homs (norte), informou a agência oficial Sana.

"Divisões do Exército e das forças de segurança continuam perseguindo grupos terroristas armados. Dezenas de pessoas procuradas foram detidas e armas e munições foram confiscadas no bairro de Baba Amr em Homs e na província de Deraa", afirma um comunicado da Sana.

"Um hospital de campanha foi descoberto na mesquita de Al Jilani, em Homs", completa o texto.

Um soldado morreu e outro ficou ferido na província de Deraa, e em Homs um oficial morreu e quatro militares ficaram feridos.

"Alguns membros de grupos terroristas armados morreram ou ficaram feridos", completou a Sana.

Diante dos protestos persistentes contra Assad, o regime enviou nos últimos dias o Exército com tanques a várias cidades e prendeu centenas de pessoas, segundo organizações e militantes sírios dos direitos humanos.