O diretório municipal do PT em São Paulo reiterou, no encerramento do 2º Congresso das Direções Zonais, no último domingo (17), a decisão de se manter na oposição ao governo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Segundo o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antonio Donato, após o encontro não há mais nenhuma incerteza sobre a posição do partido nas disputas municipais.

- Se havia qualquer dúvida, deixamos isso consolidado: estamos na oposição ao governo Kassab e pretendemos apresentar um candidato próprio nas próximas eleições de 2012.

Donato descarta qualquer desconfiança de que a criação do PSD pelo atual prefeito de São Paulo poderia alterar o cenário político local.

Para o vereador, a sinalização de Kassab em direção a uma possível aproximação do governo federal e à presidente Dilma Rousseff não altera a postura do diretório municipal.

- Acreditamos ser possível e necessário ter outra política para a cidade.

Para Donato, qualquer aproximação com a atual administração municipal é inviável devido a pontos críticos levantados pelo PT. Entre eles a política de Kassab para o transporte público, as medidas que visam retirar pessoas de baixa renda do centro da cidade, entre outras.

Ao decidir pela indicação de um candidato próprio para as eleições de 2012, o diretório municipal do PT também encerra as suspeitas de que a base oposicionista poderia atrair nomes como o do deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP) para disputar as eleições municipais. Chalita foi convidado pelo PMBD para filiar-se ao partido e ser um dos nomes cotados para a disputa, segundo revelado no início de abril pelo presidente do PMDB de São Paulo, deputado estadual Baleia Rossi.

- Queremos ter uma aliança ampla, mas decidimos ter um nome próprio.

Na visão do presidente do diretório municipal do PT, o partido não enfrenta problemas para escolher o candidato.

- Nomes não nos faltam. Queremos apenas escolher o nome mais adequado (para a disputa).

Ele cita uma extensa lista com sugestões como o da senadora Marta Suplicy e do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

A pretensão do diretório municipal é concluir a escolha do nome à Prefeitura de São Paulo até o começo do próximo ano. Essa candidatura deverá ser sustentada em uma ampla base de apoio, incluindo o PMDB. A parceria municipal com o PCdoB e o PDT, entretanto, é mais incerta.

- O Kassab adotou a política de atrair partidos que estiveram ao nosso lado na candidatura do Mercadante.

Outro pilar da candidatura municipal, defende o vereador, é a coalizão entre os diretórios estadual e nacional com o PT de São Paulo. Para tanto, será criado um conselho político cuja principal finalidade será envolver as direções das três esferas.

- A disputa na cidade de São Paulo nunca é só municipal. Queremos envolver também as lideranças estaduais e nacionais.

O conselho deverá ser implementado até o final do próximo mês.