Após ser aclamado presidente estadual do PSDB no domingo, o governador do Paraná, Beto Richa, terá dois impasses a resolver: a situação do diretório municipal de Curitiba, sem comando desde o dia 20 de março, e a candidatura do partido à prefeitura de Curitiba. O partido está divido em lançar o ex-deputado federal Gustavo Fruet à candidatura ou apoiar a reeleição do atual prefeito Luciano Ducci (PSB), ex-vice de Richa, que conseguiu trazer um partido da base do governo federal para a campanha tucana no ano passado.
"Vou trabalhar pelo consenso. As duas candidaturas são legítimas, um é prefeito e tem direito de tentar a reeleição. O outro tem uma votação fantástica em Curitiba. Os dois são do meu grupo, vamos conversar. Se cada um ceder um pouco, daremos dois passos à frente. Se não chegarmos a um entendimento, o diretório tomará a decisão", disse Beto Richa.
Com convites oficiais de, pelo menos, quatro outros partidos, Fruet ameaça sair do PSDB caso não consiga viabilizar sua candidatura. Ele afirma ainda que presidir o diretório municipal do partido é considerado fundamental. No entanto, o vereador João Cláudio Derosso, que presidiu o PSDB em Curitiba até o dia 20 de março, defende o apoio a Ducci. Ele é cotado com possível candidato a vice-prefeito.
O impasse dentro do partido fez o diretório estadual cancelar a convenção municipal marcada para 20 de março. Agora, a nomeação de uma comissão provisória ficará a cargo do novo presidente estadual.
Ao entregar o cargo a Beto Richa, o ex-presidente do partido, deputado estadual Valdir Rossoni, que assumiu a vice-presidência, falou sobre sua preferência. "O PSDB, agora, é poder no Paraná. Tem que fazer o maior número de prefeitos e, por isso, tem que ter candidato próprio. Foi por isso que desmarcamos algumas convenções municipais. O partido pode ser comandando pela mesma pessoa que comandava antes, mas não pode ser propriedade particular", afirmou.
Rossoni convidou Gustavo Fruet para ser secretário-geral do partido, mas o ex-deputado recusou, alegando que na função teria que percorrer todo o Estado e que quer dedicar-se somente a Curitiba.
Antes de entregar a presidência a Richa, Rossoni ainda fez uma inesperada crítica às nomeações feitas pelo governador no Estado. "Não reclamamos de perder espaço para partidos aliados, mas tem muito 12, muito 13 e muito 15 no governo do Paraná", disse Rossoni, referindo-se a nomeações de pedetistas, petistas e peemedebistas no governo tucano.
"Cada um tem seu estilo, eu sou mais técnico. Não vou aparelhar o Estado para fazer o partido crescer às custas do dinheiro público", respondeu o governador.