O sequestro iniciado na manhã de segunda-feira, 18, no Bairro Suíça, na capital sergipana, completa 27h e a depender da postura irredutível do sequestrador deve se estender pela manhã desta terça-feira, 19.

A vítima Cristielane Caetano Mota Santos, de 21 anos, é mantida sob a mira de um revólver por seu ex-marido José Elígio, de 24 anos. Ela está ferida por um tiro de raspão na perna esquerda, esse disparado na manhã de ontem, no início do cárcere privado. O casal se relacionava há sete anos e tem um filho, de 5 anos, que estava na escola no momento em que ela foi abordada pelo ex-marido. Eles estavam separados há 20 dias.

As negociações continuaram durante toda a madrugada. Às 2h25 da manhã, médicos do SAMU foram autorizados a entrar novamente na residência para realizar curativos no ferimento de Cristielane. O fato se repetiu às 5h30, quando também recomeçou a movimentação de curiosos nas proximidades da casa, localizada na Rua Tenente Wendel Quaranta.

Um pouco antes, às 3h30 da manhã, uma grande movimentação de policiais fez parecer que o desfecho do sequestro estava próximo. No entanto, um esquema foi montado para a entrada de uma das tias de Cristielane, presença essa, requerida pela vítima. De acordo com informações da polícia, elas conversaram brevemente, pois essa foi a ordem de José Elígio, acatada pelo mediador, que também não julgou interessante que o diálogo se estendesse e a tia passasse a ser uma nova vítima do seqüestrador.

Os policiais do Complexo de Operações Especiais – COE –, delegados da Polícia Civil, e médicos do SAMU, permanecem no local. No caso dos homens do COE, eles atuam em escala de revezamento utilizando um ônibus da companhia para descansar.

De acordo com o coronel Enílson Aragão, a polícia quer vence-lo pelo cansaço. “No início da noite de ontem interrompemos o fornecimento de água e energia da casa, para que pudéssemos atingi-lo psicologicamente. Conseguimos, já que por volta das 23h ele demonstrou sinais visíveis de cansaço. No entanto, no decorrer da madrugada ele recobrou as energias e permaneceu irredutível, sempre utilizando a vítima como escudo, principalmente nas entradas da equipe médica”, disse o coronel.

Ainda de acordo com o coronel Enílson Aragão, foi estudada a possibilidade de rende-lo durante a entrada da equipe médica. “Como ele não impede a entrada de paramédicos homens, cogitamos a possibilidade de enviar um policial disfarçado para imobilizá-lo no interior da residência. Mas, isso ainda é objeto de estudo. No entanto, a possibilidade não está descartada”, ressaltou Aragão.

Segundo o delegado Fernando Melo, a estratégia da polícia permanecerá a mesma. “Vamos vence-lo pelo cansaço e isso é fato. Isso porque, o local também não favorece uma invasão nos limites seguros para preservar a vida da vítima e do sequestrador. A polícia tem toda a paciência do mundo para aguardar o momento de sua rendição”, afirmou Melo.