O ministério das Relações Exteriores líbio anunciou nesta segunda-feira que qualquer "aproximação do território líbio a pretexto de missão humanitária" encontrará uma "resistência feroz". E anunciou que há líbios armados dispostos a defender Misrata (oeste).
O ministério de Relações Exteriores "informou sobre o assunto o Conselho de Segurança da ONU, a União Africana e a União Europeia", divulgou a agência oficial líbia Jana.
"Os milhares de líbios que pegaram em armas desde o começo da agressão colonialista cruzada contra a Líbia estão dispostos a defender Misrata", acrescentou o ministério, reafirmando que a Líbia não aceitará "nenhuma ajuda, com exceção a fornecida pela Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho".
Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.
A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.