As duas salas da Escola Municipal Tasso da Silveira onde, na última quinta-feira, o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira fez disparos contra os alunos não serão mais destinadas às aulas. Os espaços serão transformados em biblioteca digital e sala multiuso. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo diretor da escola, Luis Marduk.
As reformas são tentativas de amenizar na cabeça dos estudantes as cenas do massacre e de evitar que eles deixem a escola, disse Marduk, que trabalha há 20 anos no local. Segundo ele, até o momento, foram feitos apenas dez pedidos de transferência.
"Acredito que, se eles ficarem aqui e vencerem o medo, vão afastar o fantasma. Se, neste momento, eles se esconderem em outra escola, vão ficar com essa coisa na cabeça. Temos que ficar aqui dentro e vencer esse terror. Tem que viver essa dor até o final e reconquistar o espaço, que é nosso", afirmou.
O diretor explicou que a ideia é dar uma "repaginada" na escola. Segundo ele, no entanto, ainda não há prazo para a volta às aulas. O prédio será repintado e as salas de aula não serão mais identificadas por números, apenas por cores. Os próximos dias serão dedicados a atividades culturais abertas à comunidade, com oficinas de pintura, de música e de teatro.
"Não tem nenhuma previsão de reinício de aulas. Na semana que vem, a escola será reaberta à comunidade, aos alunos e responsáveis. Estamos programando atividades de arte e, na segunda-feira, haverá um grande evento com a participação de artistas, para que eles motivem o retorno dos alunos à escola", disse.
Para Marduk, a entrada de Wellington na instituição não pode ser considerada uma falha do funcionário que estava encarregado do portão. "Ele (o assassino) teria acesso à Câmara dos Deputados. Ele veio premeditado. Se houvesse um policial militar na porta, ele entraria", afirmou.
Atentado
Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e se suicidou logo após o atentado. Segundo a polícia, o atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.
Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão de Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.