Os ministros de finanças da UE (União Europeia) insistiram, neste sábado, que Portugal promova reformas e defenderam medidas de austeridade na região, enquanto milhares de trabalhadores europeus protestavam em Budapeste contra os cortes de gastos.

Os ministros das finanças e bancos centrais do bloco de 27 países, se reuniram no segundo dia de conversas informais fora da capital da Hungria, em resposta à crise na zona do euro. O encontro ocorreu após Portugal ter se tornado, na quarta-feira, o terceiro país da zona a pedir ajuda financeira à União Europeia e ao FMI.

Os ministros europeus disseram que, em troca de empréstimos emergenciais estimados em 80 bilhões de euros (US$ 115,49 bilhões) durante três anos, Lisboa teria que se comprometer com reformas estruturais mais profundas, buscando reduzir seu déficit orçamentário e suas dívidas a um nível sustentável.

"As regras são muito claras. Quem precisar da assistência dos outros países membros europeus e países membros da zona do euro terá que tomar medidas sustentáveis para reduzir o deficit, pois esta é a razão pela qual estão pedindo ajuda", disse à jornalistas o ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble.

Cerca de 30 mil pessoas de toda a Europa andaram pelo centro de Budapeste em protesto contra as medidas de austeridade fiscal, em manifestação organizada pela ETUC (Confederação Europeia dos Sindicatos, na sigla em inglês).

Manifestantes sopravam cornetas e gritavam frases como "Nós queremos empregos! Criem, não cortem [empregos]!"

Um dos manifestantes, Christian Guldentops, da CNE, o sindicato cristão belga, disse: "Nós estamos vindo aqui para dizer não ao plano de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy e ao plano de austeridade da União Europeia."

John Monks, secretário-geral da ETUC, disse que a Europa não deveria entrar em pânico com altas dívidas e disse que o custo de liquidar a dívida em países como a Grécia e a Irlanda é muito alto.

"Se estamos todos juntos, então o que os bancos, os mercados financeiros e os ricos e confortáveis estão fazendo? Nós queremos os mais largos ombros para suportar o fardo mais pesado, para que o peso não caia todo em cima dos pobres, dos mal pagos, dos desempregados..."