Os dois policiais militares suspeitos de matar um jovem em um cemitério de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, podem ser expulsos da corporação em até 90 dias. A afirmação foi feita pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alvaro Batista Camilo, no início da tarde desta quinta-feira (7) durante entrevista no quartel geral da PM, na região central da capital paulista.

- Eles respondem ao Conselho de Disciplina em uma ação administrativa para decidir se serão expulsos da polícia.

O anúncio ocorre dois dias depois do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ter anunciado que iria pedir a expulsão dos PMs. Segundo Camilo, caso eles sejam expulsos, não poderão retornar à corporação nunca mais. A dupla trabalhava na 4ª Companhia do 29º Batalhão. O Conselho de Disciplina da PM tem 45 dias para avaliar o caso. Camilo classificou o crime de Ferraz de Vasconcelos como um desvio de conduta.

- Os policiais não seguiram os preceitos de preservação da vida. Eles se desviaram disso e cometeram um crime.

Sobre a testemunha que ligou para o 190 denunciando a ação dos policiais, Camilo disse que ela está recebendo proteção 24 horas por dia da Corregedoria da PM.

Prestação de socorro
Questionado sobre a PM pretende extinguir a prestação de socorro a vítimas de confronto com a polícia, o comandante geral afirmou que a mudança precisa ser estudada, Mas ponderou sobre a ocorrência em lugares ermos, onde pode não haver condições de resgate no tempo necessário.

- Se houver condições para que isso funcione de forma adequada, não tem problema nenhum. A intenção do socorro rápido é para preservar a vida, se não é omissão de socorro.

Segundo Camilo, no primeiro trimestre de 2010 foram registrados 146 mortes em ações da PM que tiveram resistência. No mesmo período de 2011, esse número caiu para 108, que representa 17% do total de feridos nessas ações.

- Os números de morte já estão em queda.

Relembre o caso

Dileone Lacerda de Aquino, de 27 anos, foi assassinado na tarde do dia 12 de março. Ele tinha passagens por roubo, receptação, formação de quadrilha e resistência, tento passagem pelo sistema prisional desde 24 de agosto de 2010.

Uma mulher, que visitava a sepultura de seu pai, presenciou o crime e ligou para o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). Segundo a testemunha, os policiais tiraram uma pessoa da viatura e atiraram contra ela. A mulher, que permanece sob proteção policial, ligou para a PM e descreveu o crime.

- Olha, eu estou no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos, e a Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura aqui dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro. Eu estou aqui do lado da sepultura do meu pai.

Enquanto falava com o Copom, que gravou a ligação, ela esperou os policiais passarem perto para que pudesse ver os dados da viatura. Em seguida, o suposto policial autor do disparo percebeu a presença da testemunha, parou o veículo e foi em direção a ela. A mulher se antecipou e foi falar com o policial. Segundo a conversa gravada pelo Copom, o policial diz que não havia atirado e, na realidade, estava socorrendo a vítima. A mulher afirma que o policial estava mentindo.

Os policiais militares suspeitos registraram um boletim de ocorrência de roubo seguido de resistência e morte, no qual alegavam que o homem morto havia resistido à prisão. Mas a ligação gravada da testemunha contradiz o depoimento dos oficiais.