Dois dias após o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ter pedido a prisão temporária dos cinco policiais civis suspeitos de praticar atos de tortura contra um funcionário de ferro-velho na Delegacia de Botafogo (10ª DP), na zona sul, quatro deles foram presos nesta quarta-feira (6). Um dos agentes ainda está foragido.

De acordo com o corregedor da Polícia Civil Gilson Emiliano, eles podem ser expulsos da corporação, caso seja comprovado o crime. Os policiais vão ficar presos por 15 dias até a conclusão do inquérito.

- Se for comprovado o crime de tortura, eles podem perder o cargo. A vítima ainda precisa fazer o reconhecimento pessoal, que já foi feito por fotografia, e aguardamos a conclusão dos laudos periciais.

Mesmo afastado da delegacia, a Corregedoria da Polícia Civil não comprovou que o ex-titular José Pires Lage tivesse conhecimento do caso, já que a vítima, em momento algum, mencionou o nome do delegado. A corporação não descarta, no entanto, a possibilidade de investigar a conduta de Lage.

De acordo com Emiliano, cinco equipes da corregedoria estão nas ruas desde as 5h30 desta quarta-feira para prender Jorge Alessandro Xavier Pereira, Rodrigo Soares de Assis Mariz, Thiago Santos Castro Del Rio e Marcelo Xavier da Silva. O policial civil que não foi encontrado é Antonio Carlos Nogueira Moraes Cardoso.

Ainda segundo Emiliano, os presos serão levados para a corregedoria e depois encaminhados à penitenciária Bangu 8, na zona oeste da cidade.

Justiça decreta prisão dos policiais

O juiz Luciano Silva Barreto, da 9ª Vara Criminal, aceitou o pedido do Ministério Público e decretou a prisão temporária dos policiais. Eles foram afastados da polícia no dia 31 de março.

Agentes são afastados da Polícia Civil

Por causa da denúncia de tortura contra um funcionário de um ferro- velho de Araruama, na região dos Lagos, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, decidiu afastar os cinco policiais suspeitos do crime.

No lugar do ex-titular da 10ª DP, Pires Lage, assumiu o delegado Rodrigo Oliveira, homem de confiança do ex-chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, e que deixou a cúpula da instituição assim que Martha Rocha assumiu o comando.

A Polícia Civil informou que “embora não haja notícia da participação de autoridades policiais no evento, a decisão quanto à mudança da titularidade se deu por entender a Chefe de Polícia que tal fato, minimamente, apontava para falha de gestão por parte do delegado José Pires Lage, que será removido para a Delegacia Supervisora”.

A suposta sessão de tortura ocorreu na quinta-feira (24). Ao todo, seis policiais estão envolvidos segundo a vítima, que identificou cinco por fotos.