O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, criticou nesta segunda-feira a ingerência do Ocidente nas revoltas que sacodem o mundo árabe e afirmou que o único objetivo da intervenção na região é "proteger Israel e o capitalismo".
Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira no palácio presidencial, Ahmadinejad afirmou que Washington é uma "marionete" nas mãos dos grupos de pressão israelenses, que em sua opinião são os que ditam as ordens.
Além disso, negou que seu país esteja agitando os protestos no Barein e ressaltou que o comunicado divulgado a este respeito no domingo pelos seis países árabes que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) Pérsico "carece de valor legal" e obedece às pressões da Casa Branca.
Os estados do CCG "não devem se deixar apanhar pelas redes norte-americanas. Devem se manter em alerta. Nós estendemos a mão", assinalou em resposta ao citado documento, no qual os seis estados acusavam Teerã de se envolver nos assuntos internos de Kuwait e Barein.
Em relação a este último reino, Ahmadinejad qualificou de "horrenda" a entrada das tropas do CCG lideradas pela Arábia Saudita e exigiu a saída imediata das mesmas, ao mesmo tempo em que pediu que seja "ouvida a vontade do povo".
O presidente iraniano repassou a situação na região, e em particular na Líbia, Iêmen, Barein e Síria, e assegurou que seu país é um dos principais beneficiados.
"O objetivo de sua ingerência é salvar o regime sionista, mas fracassarão", ressaltou.
"Posso assegurar que muito em breve seremos testemunhas de um Oriente Médio sem o regime sionista (Israel) e sem a presença dos Estados Unidos e seus vassalos", acrescentou.
A este respeito, insistiu que as revoltas atuais são o reflexo de "um despertar dos valores humanos".
"Em qualquer despertar de um mundo mais humano quem ganha são os povos. E se os povos ganham, certamente o Irã se torna vitorioso", ressaltou.
Quanto aos protestos na Síria, país que mantém uma aliança estratégica com o Irã há 30 anos, Ahmadinejad evitou apoiar claramente a revolta popular e acusou Israel de conspirar para tentar dividir o país.
"O Governo da Síria é um verdadeiro amigo e um dos países na vanguarda da resistência. Os sionistas não querem ver o povo e o Governo sírio em paz. Tanto o Governo como o povo devem dialogar na busca de soluções", assinalou.
Quanto à relação com os países da região e, em particular, com os Estados Unidos, o presidente iraniano reiterou que Teerã está aberto a manter laços com todas as nações do mundo, exceto com uma a qual não reconhece: Israel.
"O regime sionista é a base histórica dos colonizadores no coração da região mas importante do mundo. Os colonizadores criaram e impuseram esse regime como base para poder governar o mundo", afirmou.
"O problema (das relações com os Estados Unidos, rompidas desde 1980) não é nosso. O problema é deles. Não podem decidir por eles mesmos. Acham que dirigem a região", mas só seguem ordens, afirmou.