“Estamos em choque, mas queremos apenas que tudo seja devidamente apurado”. A frase é de Dorian Ferreira de Aquino, de 53 anos, pai de Dileone Lacerda de Aquino, supostamente executado por policiais militares há 20 dias no cemitério Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.

- Nos sentimos indignados com o que aconteceu, mas nada melhor do que a justiça de Deus.

O caso, que ocorreu no dia 12 de março, só foi descoberto porque uma mulher que estava no cemitério no dia do crime acompanhou a execução e resolveu lugar para a polícia e denunciar os PMs. Os dois policiais envolvidos foram presos e lavados ao presídio Romão Gomes e vão responder por homicídio.

Questionado sobre uma possível ação contra o Estado por conta da morte do filho, Dorian Aquino afirmou que só quer que o caso seja apurado.

- Agora queremos apenas que o caso seja bem apurado. Depois vamos ver o que fazer.

Até a segunda-feira (4), quando o caso veio à tona pela imprensa, a família ainda não sabia das circunstâncias da morte de Dileone. Segundo a polícia, o jovem já havia sido preso por suspeita de roubo, desacato, receptação, formação de quadrilha e resistência à prisão.

Denúncia

O caso chegou até a polícia depois que uma mulher ligou para o telefone 190 do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) de São Paulo e narrou em tempo real a execução. A testemunha está sob proteção policial, desde o crime. Durante o telefonema, a mulher deu detalhes do que via.

- Olha, eu estou no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos, e a Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura aqui dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro. Eu estou aqui do lado da sepultura do meu pai.

A testemunha não conseguia ver a placa nem o prefixo da viatura policial do local em que presenciou o assassinato. Enquanto falava com o Copom, que gravou a ligação, ela esperou os policiais passarem perto para que pudesse ver os dados da viatura.

Em seguida, o suposto policial autor da execução percebeu a presença da testemunha, parou a viatura e foi em direção a ela. A mulher se antecipou e foi falar com o policial. Segundo a conversa gravada pelo Copom, o policial diz que não havia atirado e, na realidade, estava socorrendo a vítima.