O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak deixou o Egito em direção à Alemanha neste domingo (3), segundo informações da rede árabe de TV Al Jazeera. O conselho militar que governa o país desde a queda de Mubarak, em fevereiro, no entanto, nega.
Álbum: saiba quem é Mubarak
Mubarak teria saído do país para dar continuidade a um tratamento médico na Alemanha, onde foi submetido a uma cirurgia de vesícula biliar no ano passado. Desde que foi afastado do poder, Mubarak se isolou no balneário de Sharm el Sheikh, na Península do Sinai, e está proibido de deixar o Egito.
O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito negou que o ex-presidente tenha deixado o país. Uma fonte militar citada pela agência oficial egípcia Mena criticou a Al Jazeera pela notícia, questionando a confiabilidade das informações. Por ora, a cúpula militar que governa o país não divulgou nenhum comunicado oficial a respeito.
Saída de Mubarak seria parte de plano dos Estados Unidos
Desde o início do mês circulam boatos de que Mubarak estaria tentando sair do Egito para tratamento médico. Muitos indicavam que ele estaria na Arábia Saudita. Além disso, desde antes do fim da revolução que o tirou do poder, fontes afirmam que a saída do ex-presidente para a Alemanha faria parte do plano dos Estados Unidos para convencê-lo a deixar a presidência, e que o governo alemão teria inclusive oferecido asilo político.
Hosni Mubarak governou o Egito por três décadas, antes ser obrigado a renunciar após 18 dias de intensos protestos por democracia. Apesar de ter ficado conhecido como um ditador, Mubarak era um dos principais aliados do Ocidente no Oriente Médio, sendo um dos poucos chefes de Estado árabes a reconhecer Israel.
Ele é acusado de diversos crimes durante seu período de governo, que instaurou uma lei de emergência concedendo poderes ilimitados para a polícia e a possibilidade de detenções sem qualquer mandado judicial ou julgamentos. Desde que saiu do cargo no dia 11 de fevereiro, Mubarak se isolou em Sharm el Sheikh, balneário turístico no leste do país, e está proibido de deixar o Egito por uma ordem judicial.