A economia dos governos estaduais para pagar os juros da dívida pública alcançou valor recorde em fevereiro. O superavit primário dessas esferas ficou em R$ 4,3 bilhões, maior resultado da série iniciada em 1991.
Segundo o Banco Central, o início de governo nessas esferas de poder é normalmente um período de queda nos gastos, que se concentram mais nos anos eleitorais.
Além disso, as receitas com ICMS e transferências da União aumentaram no mês passado, reflexo do desempenho da economia sobre a arrecadação.
A mesma arrecadação ajudou todo o setor público, que inclui também União e municípios, a registrar no mês passado o maior superavit para meses de fevereiro (R$ 7,9 bilhões). Nesse caso, a série oficial foi iniciada em 2001.
O superavit acumulado no bimestre ficou em R$ 25,7 bilhões. Em 12 meses, foram economizados R$ 108,1 bilhões, o equivalente a 2,89% do PIB.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que a queda no superavit em relação a janeiro, quando foram economizados R$ 17,8 bilhões, se deve à sazonalidade na arrecadação.
Disse ainda que a economia feita no bimestre representa quase de 22% da meta de R$ 117,9 bilhões fixada para o ano, um percentual próximo do verificado antes da crise de 2009.
"Temos uma melhora no desempenho das contas públicas que reflete, de um lado, o crescimento econômico, que repercute na arrecadação. De outro, elevação menor das despesas. Esse desenho vem mudando a trajetória das contas públicas em termos de cumprimento da meta em relação ao ano passado", afirmou.
O BC revisou as projeções para a relação dívida/PIB no fim do ano, devido à estimativa de crescimento menor da economia. A dívida líquida deve cair dos atuais 39,9% para 38% do PIB. A estimativa anterior era 37,8%. O percentual da dívida bruta foi revisto de 55% para 55,5% do PIB.