O Giramundo é um dos mais atuantes e respeitados grupos de teatro de bonecos do mundo. Criado em 1970 pelos artistas plásticos e professores Álvaro Apocalypse, Teresa Veloso e Madu Vivacqua, explora todos os campos da criação artística.

"Uma coisa bacana é o fato do grupo nunca ter se especializado numa técnica. Pelo contrário, o Giramundo passou por todas elas, as tradicionais, e sempre procura inovar ou se adaptar a alguma técnica pra desenvolver os bonecos de acordo com a conceituação daquele projeto que está sendo produzido”, explica o diretor, Ulisses da Cunha Tavares.

Em quatro décadas, foram 35 montagens. Hoje, o grupo tem quinze participantes fixos, que cuidam de tudo. Da concepção da história à construção dos bonecos, figurinos, cenografia; e à própria apresentação. “O teatro de bonecos, o trabalho com o boneco, ele é um trabalho que já agrega várias habilidades, vários estudos e várias formações, e várias artes. Vamos dizer, valem todas as belas artes, praticamente”, completa o diretor.

Israel Augusto da Silva, marionetista, conta como é feito todo o trabalho e montagem dos bonecos. "Antes eu tava fazendo marcenaria. Então eu já tinha assim, vontade de trabalhar alguma coisa na área de construção. Aí encaixou igual luva. O meu trabalho é desenhar o projeto e construir. Aqui é um elefante. Eu recebo primeiro o boneco criado da Beatriz, ela passa pra oficina e a gente faz a parte técnica do boneco. Aqui é a tromba dele, dividida em falanges, pra ter movimento, tanto pra cima quanto pra baixo, tem um movimento na cabeça, tem a boquinha, e o movimento das patas pra simular o andar e o rabinho que é o charme.”

Fernanda Paredes também é marionetista. "Tem a parte de construção, de estrutura, modelagem, e aí, de lá, os bonecos vêm pro ateliê, onde é trabalhada a parte do acabamento, pintura, cabelo, figurino. No caso desse boneco, a gente usou umas flores de plástico, a gente desmontou e pintou as pétalas nos tons do cabelo dele. Aí tem o projeto assim, tem o desenho mais ou menos do cabelo dele, e a gente tenta seguir mais ou menos de frente e de perfil, como que é o cabelo.”

"A gente faz uma reunião, eles me mostram o que querem, igual, eu recebo o desenho do boneco, que passa pelo processo de construção da modelagem do boneco em si. No caso desse aqui, que eu estou mexendo no cabelo ainda, já fiz a parte de baixo, tênis, meia... Ela, dentro da história, ela é amiga da chapeuzinho, e ela é de uma tribo emo, que chamam os emotivos, então eu faço uma pesquisa teórica, em cima dessa pesquisa, eu tenho que respeitar essa cartela de cor que eu fiz, faço uns croquis, assim, dentro do contexto do que o boneco é, e levo pra direção de arte, a direção de arte escolhe, uma vez escolhido, que no caso dela vai ser esse, eu começo a modelar”, diz Indira Drummond de Andrade, figurinista e marionetista.

O Giramundo já se apresentou em praticamente todo o Brasil e em mais de dez países da Europa e da América. O grupo usa elementos da cultura e da história do Brasil e adapta clássicos da literatura universal ou inventa seus próprios textos. Ulisses explica que a ideia é abranger diversos assuntos. "Realmente não é uma regra dentro do grupo a gente se fechar em torno de qualquer assunto. A gente quer ser mais abrangente possível, mas acho que, dentro do grupo acho que realmente há uma obra representativa de qualidade da cultura brasileira."

Hoje, além de manter viva a tradição do teatro de bonecos, o grupo se aventura por novos meios. "A gente vem fazendo filmes publicitários, a gente vem fazendo séries para tv, a gente faz os filmes também para dentro das peças teatrais, ou seja, a gente está trabalhando de uma maneira muito aberta com a linguagem."