Os Estados Unidos consideram a possibilidade de fechar a embaixada do país em Trípoli em meio à violência entre os partidários do líder líbio, Muammar Gaddafi, e os manifestantes antigoverno, disse uma autoridade norte-americana na sexta-feira.

Falando sob a condição de permanecer no anonimato, a autoridade afirmou que a medida era estudada, mas que ainda não havia uma decisão.

EUA e Líbia reataram totalmente os laços diplomáticos apenas em maio de 2006 e qualquer movimento para fechar a embaixada norte-americana em Trípoli poderia marcar uma forte escalada nas tensões entre os dois países.

O presidente dos EUA, Barack Obama, classificou a sangrenta repressão de Gaddafi aos manifestantes antigoverno de "ultrajante." As autoridades norte-americanas afirmam que estão analisando todas as opções - incluindo possíveis sanções e ação militar ¿ como resposta.

Uma balsa norte-americana levando centenas de norte-americanos e cidadãos de outros países saiu de Trípoli rumo a Malta na sexta-feira, após sofrer um atraso por causa dos ventos fortes e do mar agitado.

A balsa está levando mais de 300 pessoas, mais da metade delas norte-americanas.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.