O assessor jurídico do fundador de WikiLeaks, Julian Assange, e professor da Universidade de Harvard, Alan Dershowitz, não teme possível denúncia das autoridades americanas contra seu cliente por publicar documentos secretos.
"No caso de as autoridades dos EUA tentarem denunciar só por publicar documentos secretos, tenho argumentos excelentes contrários", afirma Dershowitz em declarações publicadas neste sábado pelo semanário alemão Der Spiegel. "Afinal de contas, os juízes no processo pelos chamados 'Papéis do Pentágono', no qual participei há 40 anos, condenaram que havia um direito a publicação desse tipo de documentos", disse.
Naquele caso, em que foi abordado o direito da imprensa, como o jornal The New York Times, de publicar documentos críticos sobre a Guerra do Vietnã, apesar de o então governo dos EUA considerar que isso representava uma ameaça à segurança nacional.
Dershowitz considera que Assange está em uma situação similar, já que se trata "da versão moderna de um jornalista". "O processo contra ele seria os 'Papéis do Pentágono' do século XXI. Trata-se de novos meios e uma nova forma de jornalismo global", afirmou.
O conhecido advogado americano ataca s autoridades de Washington ao dizer: "exigem o uso da imprensa em países como o Egito e Irã. Portanto, teremos de deixar claro que não podem medir com dois pesos e duas medidas e limitar o uso dos novos meios quando afete aos interesses dos EUA".
"Além disso, um tribunal americano não pode ser competente diante de uma organização estrangeira como WikiLeaks, que nunca antes foi ativa nos Estados Unidos", precisa o assessor de Assange.