A Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira, em Washington, que destinará este ano mais de US$ 25 milhões a projetos que ajudem "ativistas digitais" a contornarem restrições de governos repressivos na internet. "Nã há varinha mágica contra a repressão na internet", ressaltou.

Ela destacou que os EUA sempre se colocam pela abertura na web, mas ressalvou que isso envolve desafios e exige regras para evitar o uso prejudicial da internet. "O primeiro desafio é atingir um equilíbrio entre liberdade e segurança", afirmou.

A secretária de Estado disse que o acesso à internet e a rapidez da rede possibilitam que esta seja usada por terroristas, propagadores de pornografia infantil e promotores de tráfico humano. "Os EUA estão se empenhando agressivamente para identificar e impedir criminosos que usem a internet", disse Clinton.

Hillary falou que outro desafio com relação ao livre uso da web é garantir a transparência das informações ao mesmo tempo em que seu caráter sigiloso é protegido. "A internet também é um canal para a troca de informações privadas entre empresas, jornalistas e suas fontes, além de governos", lembrou.

WikiLeaks
Segundo a secretária de Estado, apesar de algumas pessoas terem defendido o direito de liberdade de imprensa em relação ao escândalo do Wikileaks, site que divulgou correspondências entre diplomatas e oficiais do governo americano, o que ocorreu equivale a "roubar documentos e colocá-los sorrateiramente em uma mala".

Hillary disse que o governo americano não investe muito em uma tecnologia que garanta a proteção de informações confidenciais por que sabem que "não há nenhuma aplicação para isso". No entanto, ela afirmou que o governo americano já havia concedido cerca de US$ 23 milhões a especialistas que buscam desenvolver uma tecnologia de ponta contra a repressão online por parte de alguns governos, mencionando o Irã especificamente. "Sabemos que os governos repressores estão sempre avançando para reprimir, e queremos ficar à frente deles", disse.

A secretária de Estado afirmou ainda que em 2012 o governo americano vai concluir uma estratégia para liberdade e segurança na internet, e que isso é uma prioridade de política internacional para a administração de Barack Obama.

"Conforme olhamos adiante devemos lembrar que a web deve permanecer como um local aberto para o cidadão que usa as redes sociais para organizar marchas como a do Egito, o adolescente que é intimidado na escola e procura palavras de apoio online, o comerciante no Quênia, o filósofo na China e o cientista no Brasil que compartilha dados em tempo real com colegas", disse Clinton.

Um manifestante vestindo uma camiseta de veteranos de guerra em defesa da paz foi retirado à força da sala onde a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, fazia o pronunciamento. No momento da confusão, Hillary falava justamente sobre a intolerância de determinados governos em relação a manifestantes.