Uma rebelião que começou na noite de segunda-feira (7) e as negociações continuam na tarde desta terça-feira (8) no Maranhão, provocou a morte de seis detentos..De acordo com a polícia, a rebelião teria sido motivada pela superlotação na delegacia. A delegacia tem, atualmente, mais de 90 detentos. O local teria capacidade para cerca de 40 presos. Os presos reivindicam ainda melhores condições na carceragem e suas transferências para as comarcas de origem.

Entre os mortos na rebelião está o pescador suspeito de manter a filha em cárcere privado desde 1998 e ter sete filhos com ela, em Pinheiro. "Nós estamos recolhendo os corpos e encaminhando para perícia, para que eles sejam identificados oficialmente. Eu, pessoalmente, reconheci um dos mortos como sendo o pescador", diz ao G1 o escrivão João Batista Furtado Neto.

Em nota, o Governo do Maranhão confirma que um dos seis mortos é o pescador. A maioria dos mortos estaria envolvida em crimes de pedofilia. O Governo e a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão acompanham as negociações.

O caso

Um pescador de 54 anos foi preso em flagrante, no dia 09/06/2010, por suspeita de manter a filha, de 28 anos, em cárcere privado desde 1998 e ter sete filhos com ela, em Pinheiro (MA). Segundo a Polícia Civil, a prisão aconteceu logo após o pescador ter tentado manter relações sexuais com uma das crianças, de aproximadamente 6 anos. Os policiais precisaram usar canoas para chegar ao local.

O caso foi descoberto após denúncia anônima feita durante uma passeata contra a pedofilia, na capital maranhense 15 dias antes da prisão. O pescador e a filha moravam em uma casa de dois cômodos, feita de barro e pedaços de madeira e coberta de palha. O imóvel fica no povoado de Experimento, uma região afastada do Centro de Pinheiro, a mais de 300 quilômetros de São Luís.