Mais de mil manifestantes atacaram um tribunal e incendiaram duas igrejas cristãs no centro da ilha de Java, na Indonésia, nesta terça-feira.
Os ataques em Temanggung ocorreram após um homem cristão ser condenado a cinco anos de prisão por distribuir panfletos considerados insultuosos ao Islã.
A polícia da Indonésia afirmou que a multidão considerou a punição muito leve, pois defendia a pena de morte para o réu.
O incidente ocorreu dois dias após camponeses muçulmanos no oeste de Java terem matado membros de uma seita islâmica minoritária.
Um porta-voz da polícia disse à BBC que o grupo começou a atacar o tribunal em Temanggung após a leitura do veredicto.
A violência se espalhou para bairros vizinhos, onde duas igrejas foram incendiadas e uma terceira foi danificada.
A polícia atirou para o alto para dispersar a multidão.
''Grupos extremistas''
Nesta terça-feira, em outro caso, foi encontrado um vídeo de ataques contra integrantes da seita islâmica minoritária Ahmadiyah, no domingo.
A gravação aparentemente mostra um grupo de cerca de 20 homens sendo forçados a tirar a roupa antes de apanhar violentamente. Muitos morreram no ataque.
A Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional, agência que aconselha o governo americano sobre questões de liberdade religiosa, diz que a Indonésia deve agir contra ataques "extremistas".
"A Indonésia é um país tolerante que deve ser mais intolerante com grupos extremistas. É hora de o governo indonésio fazê-los pagar pela violência e ódio que espalham", disse Leonard Leo, diretor da agência do governo dos EUA.
Dona da maior população islâmica do mundo, a Indonésia é uma nação secular.
Grupos internacionais de direitos humanos dizem que outros extremistas têm ameaçado minorias religiosas nos últimos anos. O presidente indonésio tem sido criticado por não fazer o suficiente para proteger os direitos de todos os cidadãos do país.