Os grupos de jovens que iniciaram a revolta contra o presidente egípcio Hosni Mubarak formaram uma coalizão e anunciaram que não pretendem desocupar a praça Tahrir, no Cairo, até que o chefe de Estado renuncie ao poder.

Em um comunicado, a "Direção Unificada dos Jovens Revolucionários Revoltados" promete não abandonar a praça, ocupada com outros manifestantes desde 28 de janeiro, até que suas reivindicações sejam atendidas.

A primeira exigência é a "renúncia do presidente". O comunicado foi lido por Ziad al-Ulaimi, um dos seis líderes da coalizão, durante uma entrevista coletiva. O grupo foi criado em 24 de janeiro, na véspera das primeiras manifestações.

A coalizão reúne representantes de grupos como o Movimento 6 de Abril, do Grupo pela Justiça e Liberdade, da Campanha Popular de Apoio a ElBaradei, da Juventude da Irmandade Muçulmana e da Frente Democrática.

Também exige a suspensão imediata do estado de emergência, a dissolução do Parlamento, a formação de um governo de união nacional para garantir uma transição pacífica do poder político e uma reforma constitucional. Os representantes dos jovens também exigem a criação de uma comissão para investigar as mortes da semana passada.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak.

A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos na capital. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. O número de mortos é incerto, entre seis e dez, e mais de 800 ficaram feridos. No dia 3, o governo disse ter iniciado um diálogo. A oposição negou. O premiê Ahmed Shafiq foi à TV e disse que a violência contribui para a "destruição do Egito". Sem maiores confrontos, o terror passou para o lado de alguns jornalistas, que foram agredidos, roubados e obrigados a sair do país.