Os ativistas que tentam depor o presidente do Egito, Hosni Mubarak, fazem nesta quinta-feira (27) o seu terceiro dia de protestos, sendo perseguidos por policiais e convocando novos protestos, informou a agência de notícias Reuters. O governo prendeu cerca de mil pessoas nesta quarta-feira (26), quando as manifestações foram consideradas ilegais, publicou o jornal parisiense Le Figaro. A publicação também sustenta que muitas das prisões ocorreram por policiais à paisana e que ao menos 70 pessoas ficaram feridas na cidade de Suez.
O influente político Mohamed El Baradei, que vive em Viena e defende reformas no país, deve regressar ao Egito nesta quinta-feira. Sua chegada pode estimular os manifestantes, que não têm um líder evidente, embora muitos ativistas o critiquem por suas prolongadas ausências nos últimos meses.
Ao menos três manifestantes e um policial morreram em confrontos desde o início dos distúrbios, na última terça-feira (25). Os protestos, inspirados pela revolta popular na Tunísia, alcançam uma dimensão inédita nos 30 anos de regime de Mubarak. A polícia tem usado balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que atiram pedras e bombas incendiárias contra as forças de segurança.
O governo também cortou as telecomunicações, informou o jornal parisiense Le Monde. A rede de TV americana CNN denunciou que fotógrafos e operadores de câmera têm sido coagidos por policiais.
A exemplo dos tunisianos, os egípcios se queixam da carestia, do desemprego, da corrupção e do autoritarismo. Os ativistas prometem protestos ainda maiores na sexta-feira, que é parte do fim de semana egípcio. Uma página do Facebook anunciando a data do protesto ganhou mais de 55 mil adesões em menos de 24 horas.
No centro do Cairo, manifestantes queimaram pneus e apedrejaram policiais. Em Suez, a leste da capital, um prédio público foi incendiado.
Os protestos da quarta-feira se estenderam até a madrugada, quando a polícia continuava perseguindo pequenos grupos reunidos no Cairo e em Suez.
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O ministro do Interior, Habib al Adli, odiado pelos manifestantes, minimizou os incidentes ao jornal kuaitiano Al Rai.
- O sistema do Egito não é marginal ou frágil. Somos um Estado grande, com uma administração com apoio popular. Milhões vão decidir o futuro desta nação, não as manifestações, mesmo que com milhares [de participantes]. Nosso país e estável e não se abala com tais ações.
El Baradei, ganhador do Nobel da Paz por seu trabalho à frente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), lançou no ano passado, após deixar o cargo, uma campanha por reformas no Egito. Mas muitos ativistas se queixam de que ele deveria passar mais tempo nas ruas, e menos no exterior. Ele justificou sua volta ao país em entrevista ao jornal americano The Daily Beast.
- Estou voltando ao Egito para apoiar as ruas, porque realmente não há escolha. A gente vai lá com esse número enorme de pessoas, e espera que as coisas não fiquem feias, mas por enquanto o regime não parece ter entendido o recado.