Especialistas forenses independentes terão 90 dias a partir de fevereiro para rever evidência crucial na condenação da estudante americana Amanda Knox pela morte da colega de quarto britânica em um jogo sexual. A revisão foi ordenada pela corte de apelação italiana neste sábado.

Knox foi sentenciada a 26 anos de prisão em dezembro de 2009, por sua participação no assassinato de Meredith Kercher, 21, no que juízes consideram ter sido um jogo sexual que saiu do controle. O seu namorado à época, Raffaele Sollecito, e o marfinense Rudy Guede, também foram condenados por participação no crime.

Os advogados de defesa colocaram em dúvida os traços de DNA que serviram de base da acusação e pediram uma revisão independente das provas.

Stefano Conti e Carla Vecchiotti, da Universidade Sapienza, em Roma, prestaram juramento na audiência deste sábado. Eles iniciarão a revisão em 9 de fevereiro no laboratório da universidade e terão até 9 de maio para concluir os estudos. O resultado será apresentado na corte em 21 de maio.

De acordo com a versão da promotoria, na noite do crime, 1º de novembro de 2007, Knox e seu namorado italiano se encontraram no apartamento em Perugia que ela dividia com Meredith Kercher, 21, e outros dois estudantes. No local estava ainda Guede, da Costa do Marfim.

Segundo a promotoria, Knox convenceu Sollecito e Guede a participar de um jogo sexual com Kercher, que acabou em violência. Eles alegam que Knox ficou furiosa com a britânica por criticar sua promiscuidade e falta de higiene. Elas teriam começado a discutir e os três atacaram a estudante britânica, agredindo-a sexualmente e a matando em seguida. De acordo com os promotores, provavelmente o trio agiu sob a influência de drogas e álcool.

O corpo de Kercher foi encontrado seminu e trancado em seu quarto, repleto de sangue. Ela tinha uma ferida profunda na garganta.

A promotoria acusou ainda Knox e Sollecito de terem quebrado a janela do quarto para dar falsos indícios de um assalto e atrapalhar as investigações.

Apesar das acusações, promotores não conseguiram apresentar evidências forenses conclusivas contra Knox e Sollecito. Segundo eles, uma faca de cozinha de 16,5 centímetros seria a arma do crime. A faca supostamente teria vestígios de DNA de Knox e de Kercher. Já o DNA de Sollecito estaria no sutiã de Kercher.

No entanto, advogados de defesa argumentaram que o objeto seria grande demais para produzir os ferimentos no corpo de Kercher, e que o DNA achado não é suficiente e poderia ser resultado de contaminação durante o processamento do quarto. Agora a faca será reexaminada pelos especialistas.

Enquanto a avaliação é feita, o julgamento vai continuar com testemunhas trazidas pela defesa para desmentir uma testemunha da acusação que coloca Knox e Sollecito no quarto, na noite do crime. Knox e Sollecito insistem que estavam na casa dele no dia.

A próxima audiência será em 12 de março. A