Embora considere que a evolução dos preços está sob controle, o Banco Central Europeu (BCE) afirma haver sinais de pressões inflacionárias no curto prazo, decorrentes principalmente dos preços de energia. A análise faz parte do boletim mensal publicado nesta quinta-feira pela instituição.

As atuais taxas de juros, segundo o BCE, são apropriadas para o cenário econômico que se apresenta. A instituição, entretanto, não deixou de reforçar a necessidade de acompanhamento dos preços.

'O Conselho do BCE espera que a estabilidade de preços seja preservada no médio prazo, apoiando, assim, o poder de compra das famílias da área do euro. As expectativas de inflação continuam firmemente ancoradas em conformidade com o objetivo de manter as taxas de inflação abaixo, mas próximo, de 2% no médio prazo', diz o BCE.

A autoridade monetária, porém, destaca que, nos próximos meses, a inflação poderá registrar 'novo aumento de caráter temporário'. 'É provável que (as taxas de inflação) permaneçam ligeiramente acima de 2%, em larga escala devido à evolução dos preços das matérias-primas, devendo depois, por volta do final do ano, registrar de novo uma moderação.'

Para o BCE, a economia da zona do euro manteve seu dinamismo no final de 2010, e a expectativa para 2011 é de que as exportações sejam beneficiadas pela recuperação mundial, ao mesmo tempo em que a demanda interna deverá ser fortalecida. Tal avaliação tem por base a política monetária de juros baixos e as 'medidas adotadas com vista a restabelecer o funcionamento do sistema financeiro'. 'Espera-se, contudo, que a recuperação da atividade seja atenuada pelo processo de correção de balanços em vários setores', ressalta a instituição.

O BCE lembra que ainda é grande o nível de incerteza no mercado. 'Por um lado, o crescimento do comércio mundial poderá continuar a ser mais rápido do que o esperado, apoiando dessa forma as exportações da área do euro. Além disso, a forte confiança das empresas poderá proporcionar mais apoio à atividade econômica interna na área do euro do que o atualmente esperado. Por outro lado, os riscos descendentes estão associados às tensões em alguns segmentos dos mercados financeiros e às suas potenciais repercussões na economia real da área do euro, estando outros riscos descendentes relacionados com novos aumentos dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, com pressões protecionistas e com a possibilidade de uma correção desordenada dos desequilíbrios mundiais'.

Nos últimos meses, de acordo com a instituição, os bancos europeus expandiram a concessão de crédito ao setor privado, num contexto de estabilidade em seus balanços. 'Mantém-se, porém, o desafio de ampliarem a disponibilização desse tipo de crédito quando a recuperação da procura se intensificar. Com vista a responderem a esse desafio, é essencial que, quando necessário, os bancos retenham lucros, recorram ao mercado para reforçarem ainda mais as respectivas bases de capital ou tirem total partido das medidas governamentais de apoio à recapitalização', sugere o BCE.