Falsos voluntários tentaram roubar doações feitas às vítimas dos deslizamentos de terra e das enchentes em Teresópolis, região serrana do Rio, na última quinta-feira (13), um dia após a tragédia que assolou a área e vitimou mais de 600 pessoas.

Segundo o governo do Estado, a presença de dezenas de policiais militares fortemente armados dentro do Ginásio Pedro Rage Jahara (Pedrão) ocorre justamente para evitar este tipo de situação.

Conforme apurou equipe de reportagem do R7, homens e mulheres que fizeram cadastros na condição de voluntários foram flagrados por funcionários do governo retirando água, roupa, mantimentos e outros itens do interior do Pedrão, onde até segunda-feira (17) estavam grande parte das famílias desabrigadas e desalojadas.

Para aumentar a segurança no local, o governo do Estado pediu a presença de mais agentes responsáveis pela Operação Lei Seca, que foram deslocados para a região serrana.

Centenas de voluntários trabalham em Teresópolis para socorrer e prestar assistência aos moradores atingidos, além de outras atividades que requerem especialização, como reconhecimento dos corpos.

Desde o flagrante, caso você porte identificação de voluntário, só é permitida a saída do ginásio com qualquer tipo de doação se apresentado um documento assinado pelo responsável do abrigo. Além disso, o documento tem que apontar todos os itens que estão sendo retirados.

O Ministério Público afirmou ontem que considera excessiva a ajuda recebida pela cidade de Teresópolis enquanto outras cidades atingidas encontram dificuldade em receber os mantimentos. Apesar do nível de donativos ser alto, algumas regiões do município ainda não receberam qualquer tipo de ajuda oficial, como o caso do Jardim Salaco.

Tragédia das chuvas

O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro dia 11 deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

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Na sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais) e voluntários, também estão ajudando e recebem doações.

Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) são enterrados em covas improvisadas. Hospitais continuam com muitos feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes e localização de corpos.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.