O primeiro-ministro tunisiano Mohammed Ghannouchi anunciou nesta segunda-feira (17), pela televisão Al-Arabiya, que serão realizadas as eleições gerais na Tunísia em "seis meses, o mais tardar". Além disso, o premiê nomeou um gabinete de união nacional, encarregado de administrar a transição.

- A Constituição prevê eleições em 45 a 60 dias, prazo, no entanto, insuficiente. As eleições serão realizadas em seis meses o mais tardar.

Para o governo de transição, Ghannouchi incluiu três líderes da oposição e oito ministros da equipe anterior.

O primeiro-ministro também afirmou que todos os partidos políticos que o solicitarem serão legalizados, ao apresentar o novo governo de união nacional.

- Os partidos políticos e as organizações que pedirem serão reconhecidos de imediato.

A iniciativa faz parte de uma série de medidas de abertura democrática para o país como a "liberdade total de informação", a libertação de todos os presos políticos e a autorização de funcionamento das organizações de defesa dos direitos humanos.

O partido islamita Ennahda e o Partido Comunista dos Operários da Tunísia figuram entre os proibidos até agora.


Exército invadiu palácio presidencial

A formação de um governo de unidade nacional para a transição política é considerada essencial diante dos violentos confrontos que tomam conta do país após a queda do presidente Zine El Abidine ben Ali, na última sexta-feira (14).

Neste domingo (16), tiroteios entre forças de segurança e guardas leais ao ex-chefe de Estado resultaram na invasão militar do palácio presidencial de Cartago, onde os rebelados estavam escondidos.

O fotógrafo franco-alemão Lucas Mebrouk Dolega, de 32 anos, que cobria o conflito, acabou morrendo, segundo anunciou hoje a Agência Europeia de Fotografia da Imprensa (EPA), para quem trabalhava.

Presidente fugiu após um mês de protestos

O Conselho Constitucional da Tunísia afastou Ben Ali definitivamente da Presidência do país no último sábado (15) e nomeou o líder do Parlamento, Foued Mebazaa, presidente interino.

Ben Ali, no poder havia 23 anos, abandonou a Tunísia após protestos sem precedentes contra seu regime, refugiando-se na Arábia Saudita.

Reeleito em meio a acusações de fraude para um quinto mandato em outubro de 2009, com cerca de 90% dos votos, o ex-presidente enfrentava uma crescente oposição, que degenerou em protestos nas ruas desde dezembro do ano passado.