Turistas brasileiros ainda esperam para ser retirados da região de Puerto Natales, no sul do Chile, onde manifestantes fecharam os acessos à região em protesto contra a alta nos preços do gás. O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) não soube informar quantos ainda estão no local e disse que o governo brasileiro não enviará avião para resgate, feito até o momento pelo governo chileno.
Segundo o Itamaraty, o governo chileno está dando conta da situação e não será necessário o envio de aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira). A Cruz Vermelha chilena disse ao R7 que o resgate continua sendo feito.
A fonoaudióloga Rita Mor, 59 anos, que chegou na madrugada desta segunda-feira a São Paulo contou ao R7 que, no sábado, havia pelo menos 127 brasileiros presos no local. O levantamento foi feito pelos próprios turistas, enquanto esperavam pelo resgate em um albergue improvisado pela Cruz Vermelha chilena.
O Itamaraty não soube informar o número exato de brasileiros no local, nem se a maioria já foi retirara. O R7 entrou em contato com o cônsul brasileiro em Santiago, Mario Babaic, mas não obteve retorno.
A turista brasileira disse que não houve contato de nenhuma autoridade diplomática brasileira no tempo em que ela e seu marido ficaram retidos no sul do país. Segundo ela, havia cerca de mil turistas de diversas nacionalidades concentrados no albergue improvisado pela Cruz Vermelha aguardado ajuda no sábado.
Rita e o marido, Mauricio Mor, foram resgatados por um avião da Força Aérea chilena que os levou de Puerto Natales para Punta Arenas, de onde tomaram um avião comercial a Santiago e, de lá, para São Paulo.
Governo negocia com manifestantes
O governo chileno continua negociando com os manifestantes, podendo rever a alta no preço do gás, combustível essencial no aquecimento das moradias da região, de 17% (aumento anunciado) para 3%. A informação é do jornal La Tercera.
Os protestos foram causados pela elevação de 17% no preço do gás. A greve na cidade de Punta Arenas paralisou toda a região de Magalhães e Bahia Azul, na Terra do Fogo.
A rodovia que liga o Chile à Argentina está bloqueada, assim como outras estradas e embarcações, o que impossibilita a entrada e saída para cruzar o estreito de Magalhães.
Por causa disso, os turistas estão impedidos de cruzar a região. Apesar do anúncio, ontem, do ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, de que o governo aplicará a Lei de Segurança Interna do Estado na região sul do país, os protestos no Chile se intensificaram.
Durante os distúrbios da semana passada, morreram duas mulheres e uma menor ficou gravemente ferida. A Lei de Segurança Interna do Estado permite triplicar as sanções contra os detidos e, em casos extremos, as Forças Armadas podem ser autorizadas a intervir para garantir a manutenção da ordem.