A Prefeitura de Teresópolis, uma das cidades mais afetadas por um forte temporal na região serrana do Estado do Rio de Janeiro na última terça-feira (11), recebeu em novembro de 2010, a aprovação de recursos da segunda etapa do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal para a realização de obras de infraestrutura e de urbanização. O município, no entanto, havia apresentado ao governo federal projetos reivindicando R$ 390 milhões, segundo o secretário de Planejamento e Projetos Especiais, José Alexandre Almeida.

Esses recursos serão aplicados em obras estruturais prioritárias em 14 comunidades carentes. O problema é que, após a enxurrada que devastou a maior parte da cidade, o município precisará de ao menos R$ 500 milhões, segundo o prefeito Jorge Mário Sedlacek.

Obras

Comunidades que sofrem com a existência de áreas de risco e consequentes deslizamentos de terra, como Perpétuo, Pimentel, Rosário, Morro do Tiro, Jardim Meudon, Meudon e Vale da Revolta receberão cerca de R$ 14 milhões para a execução de obras de contenção de encostas.

O município também fará jus a R$ 150 mil para a revisão do Plano Municipal de Redução de Riscos. O documento identifica os pontos de risco na cidade para ocorrência de deslizamentos de encostas e de inundações no período de chuvas fortes, e sugere as obras para solucionar ou remediar os problemas.

O bairro de São Pedro, um dos mais populosos do município, receberá R$ 52,5 milhões para obras de drenagem e pavimentação em 38 ruas. A região será contemplada também com a implantação de conjunto habitacional com 444 unidades, a construção de duas estações de tratamento de esgoto, duas praças, duas creches e uma quadra poliesportiva.

Tragédia

O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na terça-feira (11) deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgates ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

No final da noite desta sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais), também estão ajudando e recebem doações.

Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) começaram a ser enterrados quinta-feira (13), alguns deles sem identificação. Hospitais estão lotados de feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.