A juíza da Vara de Infância e Juventude de Teresópolis, Inês Joaquina Coutinho, afirmou na manhã deste domingo que o problema maior para as crianças atingidas pela catástrofe não é a perda dos pais, mas o desencontro com eles. De acordo com ela, um número ainda impreciso de crianças ficaram órfãs, mas este número é pequeno em relação ao de crianças que estão perdidas dos pais - isolados em áreas de risco. "Famílias têm nos procurado na pretensão de adotar, mas a maioria das crianças sem os pais estão apenas perdidas", diz.
Um boato sobre a criação de um cadastro emergencial de adoções motivou a ida de algumas famílias ao ginásio Pedro Jahar, o "Pedrão", para se colocar à disposição de adoções. De acordo com a magistrada, o procedimento é inválido pois o cadastro nacional de adoções é que determina que crianças podem ser adotadas. "Você não pode escolher uma criança que ficou sozinha com a tragédika", explicou Inês.
A Vara da Infância e da Juventude é procurada por crianças que tomaram a iniciativa de fugir sozinhas de áreas de risco e agora querem buscar os pais. A menina identificada apenas como Jéssica, 13 anos, trouxe o irmão Rafael, de 11, para pedir ajuda para localizar os pais, que moram na região da Barra. Uma picape de um voluntário imediatamente partiu com as crianças para o resgate.
Chuvas na região serrana
As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.