O governo brasileiro admitiu à Organização das Nações Unidas (ONU) que grande parte do sistema de defesa civil do País vive um "despreparo" para enfrentar calamidades como a que atingiu a região serrana do Rio na semana passada, e que não tem condições sequer de verificar a eficiência de muitos dos serviços existentes. Um tratado firmado por 168 países em 2005 prevê a divulgação de um raio x do plano de redução do impacto dos desastres naturais. O jornal Estado de S. Paulo obteve um documento enviado em novembro de 2010 por Ivone Maria Valente, da Secretaria Nacional da Defesa Civil (Sedec). Suas conclusões mostram que a tragédia estava praticamente prevista pelas próprias autoridades.
"A maioria dos órgãos que atuam em defesa civil está despreparada para o desempenho eficiente das atividades de prevenção e de preparação", afirma um trecho da versão enviada pelo próprio governo do Brasil ao escritório da Estratégia Internacional das Nações Unidas para a redução de Desastres, no fim de 2010. Praticamente um a cada quatro municípios do País sequer tem um serviço de defesa civil e, onde existe, não há como medir se são suficientes. "A falta de planejamento da ocupação e/ou da utilização do espaço geográfico, desconsiderando as aéreas de risco, somada à deficiência da fiscalização local, têm contribuído para aumentar a vulnerabilidade das comunidades locais urbanas e rurais, com um número crescente de perdas de vidas humanas e vultosos prejuízos econômicos e sociais", diz documento assinado por Ivone.