Um grupo de cerca de 150 brasileiros tenta neste sábado (15) deixar a região sitiada no sul do Chile por protestos contra aumentos no preço do gás. Turistas e o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) informaram ao R7 que o governo local chegou a um acordo com os manifestantes para liberar o trânsito para a partida dos estrangeiros. Mas, segundo relato de uma brasileira, eles ainda não conseguiram furar o bloqueio.
Os brasileiros estão presos na cidade de Puerto Natales e no Parque Nacional Torres del Pine há uma semana, quando começaram as manifestações contra a subida de 16,8% no preço do gás anunciada pelo governo. Os manifestantes bloquearam estradas e o aeroporto de Puerto Natales, impedindo a saída de quem estivesse na cidade, a cerca de 3.000 km ao sul de Santiago.
Itamaraty disse ter sido informado pelo cônsul-honorário do Brasil na região, Marcio Vladimirdo Babaic, sobre o acordo entre autoridades locais e os manifestantes. E turistas brasileiros afirmaram terem sido orientados a fazer as malas. E grande parte deles já deixou os hotéis onde estavam hospedados.
Em São Paulo, familiares da fonoaudióloga Rita Mor, que está em Puerto Natales, dizem ter sido informado por ela que, apesar da notícia de um acordo, os turistas continuam retidos. Rita disse que o Exército chileno ainda estava alocando os turistas em ônibus e organizando uma escolta para furar o bloqueio.
Mais cedo, o gaúcho André Alberto Bergmann, que está desde o último domingo (9) retido em Puerto Natales, disse ao R7 que a Cruz Vermelha – que tem prestado assistência aos estrangeiros – e o governo do Chile estavam à frente da retirada.
Por e-mail, ele informou que os primeiros aviões sairiam de Puerto Natales ainda na tarde deste sábado com destino a El Calafate, na Argentina.
- Aqueles turistas que estão de carro ou moto serão escoltados até a fronteira.
Na manhã deste sábado, a Cruz Vermelha começou a fazer uma lista de turistas que teriam prioridade na partida. Segundo Bergmann, idosos, famílias com crianças pequenas, gestantes e pessoas doentes partiriam antes dos demais.
Também por e-mail, a turista Simone Lissner, retida em Puerto Natales há cinco dias, disse ter sido informada pela Cruz Vermelha de que as autoridades estavam organizando comboios para deixar os manifestantes no aeroporto local.
Manifestações tiveram apoio da população
Os protestos contra o aumento do preço do gás levaram à renúncia do ministro da Energia, Ricardo Raineri. A medida revoltou a população, principalmente nessa fria região da Patagônia chilena, que precisa do combustível para o aquecimento das casas.
As manifestações também tiveram amplo apoio da população e dos comerciantes locais. Praticamente todos os estabelecimentos comerciais fecharam, incluindo os supermercados. E os restaurantes que se dispuseram a abrir para atender os turistas foram forçados a baixar as portas, sob ameaça de serem depredados.
Enfrentando a escassez de alimentos, e sitiados no sul do Chile, Simone disse os brasileiros está à beira da exaustão.
- Não aguentamos É muita pressão psicológica. A cada hora nos dão uma nova esperança.