A seção espanhola da Anistia Internacional (AI) ressaltou nesta segunda-feira que, nove anos depois das primeiras transferências à base de Guantánamo, 173 pessoas seguem presas nessas instalações americanas, "a maioria sem acusações ou julgamentos".

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a AI lembrou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou em janeiro de 2010 o fechamento da base e se mostrou preocupada pelos efeitos físicos e psicológicos que a detenção indefinida e prolongada possa ter nestas pessoas.

Além disso, a ONG indicou que o governo americano segue realizando julgamentos perante comissões militares aos quais a AI se "opõe por não cumprir as normas internacionais sobre julgamentos justos".

Em seu comunicado, a Anistia Internacional considerou que, de todas as pessoas ainda presas em Guantánamo, aproximadamente 20 precisam de proteção internacional, pois correriam o risco de serem vítimas de novas violações de direitos humanos se fossem devolvidas a seus países de origem.

"Não se sabe quantos destes homens receberam a aprovação para sua transferência de Guantánamo", explicou a AI.

Até o momento, segundo a AI, 32 ex-presos receberam proteção internacional em países terceiros, como Albânia, Alemanha, Bélgica, Bermudas, Bulgária, Cabo Verde, Eslováquia, Espanha, França, Geórgia, Hungria, Irlanda, Letônia, Portugal e Suíça.

A Espanha ampara em seu território, desde o mês de agosto, três ex-presos de Guantánamo de nacionalidade iemenita, palestina e afegã, indicou a organização.

A AI pediu às autoridades americanas que interrompam as detenções indefinidas sem julgamento, tanto em Guantánamo como em qualquer outro lugar, e o fechamento dessa base dos EUA em Cuba.