A audiência do caso da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins começou por volta das 13h45 desta segunda-feira (10), com mais de uma hora e meia de atraso. Joanna, que tinha cinco anos, morreu de meningite após ficar 26 dias em coma no Rio de Janeiro. A primeira a testemunhar é a mãe da criança, a médica Cristiane Marcenal Ferraz. Ela pediu para que o réu, André Rodrigues Marins, pai da menina e se ex-marido, e a outra acusada Vanessa Maia fossem retirados da sala de audiência. Ela alegou temer ser intimidada.
O pai da garota e Vanessa foram denunciados em outubro do ano passado, pelo Ministério Público por tortura e homicídio.
Serão ouvidas de dez a 12 testemunhas nesta segunda. O advogado de defesa disse que nem todas as pessoas foram intimadas, portanto há brecha para um adiamento. De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, isso não deve acontecer porque as testemunhas já estão no local.
Relembre o caso
A menina Joanna, suspeita de ter sido vítima de maus-tratos, morreu no CTI do Hospital Amiu, em Botafogo, zona sul do Rio. Ela foi internada na unidade depois de passar por dois hospitais em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Além de ter tido várias convulsões, ela apresentava hematomas nas pernas e marcas nas nádegas e no tórax, que aparentavam queimaduras.
A partir daí, a mãe da criança, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, passou a acusar o pai da menina, o técnico judiciário André Rodrigues Marins, que tinha a guarda dela na época, de maus tratos. Ele nega e atribui os ferimentos a sucessivas crises de convulsão.
Durante as investigações da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), foi descoberto que, além dos maus-tratos, a criança tinha sido atendida por um falso médico no Hospital RioMar, na Barra da Tijuca. Ela ficou 28 dias internada no Hospital Amiu.
A polícia investiga os maus-tratos e o erro médico. A Corregedoria-Geral do Ministério Público estadual vai apurar se a promotora Elisa Pittaro, responsável pelo caso, cometeu falta disciplinar no caso da menina Joanna. No mesmo mês, após três anos de investigação, a promotora pediu o arquivamento do inquérito que apurava se o pai da criança agrediu a filha, conforme denúncia da mãe da menina.