A Polícia Federal no Rio Grande do Sul auxilia nas investigações sobre o assalto a uma agência do Banco de la Provincia de Buenos Aires, durante o feriado do Ano Novo, na capital da Argentina. De acordo com a PF, agentes das delegacias na fronteira com a Argentina e o Uruguai realizam um trabalho de inteligência na busca por identificar suspeitos do crime.
Os criminosos cavaram um túnel de mais de 20 metros sob duas lojas, em Buenos Aires, para conseguir entrar na agência. Eles conseguiram escapar com cerca de US$ 6,5 milhões. A polícia argentina afirma que o túnel estava sendo preparado desde julho de 2010.
“Ao tomar conhecimento da forma como agiu a quadrilha no assalto ao banco argentino alertamos imediatamente as delegacias que ficam nas fronteiras com a Argentina e o Uruguai, tendo em vista a semelhança entre esse assalto e o grande roubo que ocorreu em 2005, em Fortaleza, e também entre duas tentativas de roubo que evitamos no Rio Grande do Sul, em 2006”, afirma ao G1 o delegado Ildo Gasparetto, superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul.
O episódio na Argentina apresenta, segundo Gasparetto, semelhanças com o assalto ao Banco Central em Fortaleza, em agosto de 2005, em que R$ 164 milhões foram roubados. A atuação dos criminosos também tem características parecidas às da quadrilha que tentou, em 2006, roubar agências do Banrisul e da Caixa Econômica Federal, de acordo com o delegado.
"Entre as semelhanças que já foram identificadas pela PF brasileira estão o período de desencadeamento da ação, durante um fim de semana prolongado; a locação de um imóvel ao lado do prédio onde os criminosos querem praticar o furto ou roubo; e a construção de um túnel", afirma Gasparetto.
Os presos no Rio Grande do Sul durante a Operação Toupeira, que frustou as tentativas de assalto em 2006, pertenciam, segundo Gasparetto, a uma facção criminosa de São Paulo, que age dentro e fora dos presídios. A PF do RS investiga, portanto, a possibilidade da participação de integrantes desta facção no assalto ao banco na Argentina.
"Para ajudar nas investigações, foram levantados os dados dos presos durante a Operação Toupeira, em 2006. Estamos em contato diário com a Interpol e nos colocamos à disposição da polícia e do Ministério Público argentino para qualquer tipo de auxílio de que eles precisem, inclusive com comparações", afirma.
Segundo a Polícia Federal, dos presos na operação no Rio Grande do Sul, 11 foram removidos para outros estados, cinco estão em liberdade, sete estão foragidos, três continuam presos no Rio Grande do Sul e dois foram mortos.