Os diretores do Banco Central e do serviço secreto do Zimbábue processaram na Justiça uma revista local por reproduzir documentos secretos de diplomatas americanos vazados pelo site WikiLeaks, segundo os quais os funcionários do país são envolvidos no tráfico ilegal de diamantes. Gideon Gono, diretor do Banco Central, e Happyton Bonyongwe, chefe da Organização Central de Inteligência, processam a revista privada The Standard, exigindo, respectivamente, US$ 12,5 milhões e US$ 10 milhões por danos e prejuízos a suas pessoas, informa neste sábado o diário estatal The Herald.
Esses processos ocorrem dias depois de Grace Mugabe, esposa do líder do Zimbábue, Robert Mugabe, processar a The Standard também por publicar documentos vazados pelo WikiLeaks, nos quais ela também é envolvida no tráfico ilegal de diamantes. Todos negam taxativamente ter participado do tráfico ilegal de diamantes. O documento diplomático americano cita como fonte Andrew Cranswick, diretor da companhia mineradora desalojada desses campos de mineração pelo Governo de Mugabe em 2006, que negou ter falado com funcionários americanos sobre essas questões.
O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.
Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.