As drogas apreendidas desde domingo no Complexo do Alemão e na vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio, começaram a ser incineradas nesta quarta-feira na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, no sul do Estado. Ao todo, são cerca de 43 t de maconha, 230 kg de cocaína e uma grande quantidade de crack e outras drogas.

Todo o material foi levado em quatro caminhões da Companhia de Limpeza Urbana da cidade (Comlurb), que saíram da Academia de Polícia Civil, no centro do Rio, por volta das 12h30. O percurso, pela Rodovia Presidente Dutra, foi feito sob um forte esquema de segurança, com 30 policiais no comboio e agentes da Polícia Rodoviária Federal posicionados em pontos estratégicos da estrada.

A incineração, acompanhada por policiais, deve durar até o fim da madrugada de quinta-feira. A assessoria da companhia informou que a operação não interrompe o processo de produção da siderúrgica e que é a segunda vez que a CSN cede um de seus fornos para incinerar drogas. A primeira foi em 2004, quando foram queimados 75 t de entorpecentes, apreendidas durante a Semana Nacional de Combate às Drogas.

Violência
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis incendiaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer). Na terça-feira, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal se juntaram às forças de segurança no combate à onda de violência que resultou em mais de 180 veículos incendiados.

Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tomaram a vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Alguns traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, que foi cercado no sábado. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do Complexo do Alemão, praticamente sem resistência dos criminosos, segundo a Polícia Militar. Entre os presos, Zeu, um dos líderes do tráfico, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes em 2002.

Desde o início dos ataques, pelo menos 39 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.