Os ministros europeus devem assinar neste domingo um pacote de ajuda de 85 bilhões de euros (US$ 115 bilhões) para a Irlanda, que se tornará o segundo país da zona do euro, junto à Grécia, a receber ajuda em meio à crise de dívida da região. Os ministros das Finanças da zona do euro reúnem-se a partir das 10h (horário de Brasília) para firmar o acordo.

Fontes europeias disseram que um time de especialistas da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) finalizaram um acordo com as autoridades irlandesas após dez dias de negociações.

"As negociações foram concluídas, e foi acordado um pacote", disse uma fonte envolvida com as discussões. "Os ministros financeiros da UE já estão prontos para assinar o pacote, mas acho que eles também vão querer discutir alguns dos detalhes e acrescentar algum ímpeto político ao que foi acordado na Irlanda".

Fontes dizem que o pacote de créditos vai totalizar cerca de 85 bilhões de euros. Um obstáculo importante vem sendo a taxa de juros que será cobrada e o vencimento dos empréstimos, previsto para ser entre três e seis anos.

Depois de os ministros da zona do euro se reunirem para discutir o pacote, os 27 ministros financeiros da UE vão se reunir em Bruxelas, com a expectativa de que os detalhes do pacote de resgate sejam anunciados antes da abertura dos mercados financeiros da Ásia na segunda-feira.

O presidente da Comissão Europeia, José Manual Barroso, disse à rádio Europe 1 que espera que os ministros financeiros da UE concordem de maneira unânime em ajudar a Irlanda, que está sob pressão intensa para aceitar o resgate apesar de ter declarado repetidas vezes nas últimas semanas que não precisava dessa ajuda.

Em uma série de telefonemas feitos no fim de semana, o presidente francês Nicolas Sarkozy conversou com os líderes da Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Dezenas de milhares de irlandeses foram às ruas de Dublin no sábado para protestar contra o pacote de resgate prestes a ser acordado, e os partidos de oposição irlandeses avisaram que não aceitarão taxas de juros excessivas.

Existe a expectativa de que os dois partidos, o Fine Gael e o Trabalhista, derrotem o partido Fianna Fail, do impopular primeiro-ministro Brian Cowen, em uma eleição que terá lugar em alguns meses. Eles já disseram que terão que respeitar um acordo de resgate que venha a ser fechado, mas que poderão tentar renegociar seus detalhes.

Entenda
O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, disse no dia 21 de novembro que o seu país, a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) fecharam um acordo por um empréstimo para equilibrar as contas públicas irlandesas. Segundo o ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, ainda não foi definido o valor do resgate, mas está sendo discutida uma quantia de 85 bilhões de euros (R$ 195,6 bilhões), que será usada para diminuir o déficit orçamentário do país para 3% do PIB até 2014.

No dia 24, a Irlanda definiu um plano de austeridade para economizar 15 bilhões de euros (US$ 20 bilhões), que inclui elevação das idades de aposentadoria, corte de empregos e reajuste de impostos. A primeira fase do plano será acertada em 7 de dezembro no Parlamento, com a apresentação do Orçamento para 2011, cuja aprovação é chave para que Irlanda possa ter acesso ao resgate financeiro do FMI e UE. Outros países, como a Suécia e a Grã-Bretanha, indicaram que poderão fazer empréstimos adicionais à Irlanda.

O governo irlandês será o segundo país europeu a receber um empréstimo da UE e do FMI para combater os efeitos da crise. Em maio, a Grécia negociou um pacote de 110 bilhões de euros, a serem repassados ao longo de três anos. Agora as atenções se voltam para Portugal, outra economia da zona do euro com alto nível de endividamento.

Países como Irlanda e Portugal vivem situação preocupante para lidar com seus déficits. O ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos, disse ao Financial Times que há um risco enorme de que seu país seja obrigado a buscar ajuda internacional, pois os mercados estão considerando Grécia, Irlanda e Portugal como um único conjunto.