Santa Catarina abriga uma frota de carros com o peso médio de 13 anos de uso sobre as rodas. A idade está na média brasileira e um ano abaixo da mediana da Região Sul. Mas este número deve cair significativamente nos próximos anos, diante da tendência “inevitável” de renovação da frota.

Cálculos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de SC, feitos a pedido do Diário Catarinense, revelam a idade média da frota no Estado (veja quadro). Os números mostram que os catarinenses têm a média de idade mais antiga de caminhonetes (15,79 anos), ônibus (17,46) e motos (8,76). Os carros de passeio e os caminhões seguem, com uma pequena diferença, a média contabilizada no país.

A idade da frota de carros de passeio na Região Sul e no Brasil vinha mantendo uma média com pouca alteração nos últimos cinco anos. Até 2010, quando as idades foram elevadas (a nacional de 12,8 anos para 13,3, e a da região Sul, de 13,8 para 14,3). Esta alteração para cima é o resultado de um período com um crescimento menor na Região Sul nos últimos três anos, segundo avaliação do diretor regional para SC do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Hugo Ferreira.

— A frota está sendo renovada, mas tivemos anos difíceis, especialmente em 2009 — avalia Ferreira.

Outro fator que contribui para um “envelhecimento” no Sul, na opinião de Ferreira, é o peso que a agricultura tem na região. O professor de Economia da UFSC João Rogério Sanson afirma que a predominância das pequenas propriedades agrícolas favorece que uma quantidade importante de veículos seja mantida pelos proprietários por mais tempo.

— Diferente de outros estados com grandes fazendas, nos quais é mais difícil as pessoas terem carro, aqui todos têm veículo na pequena propriedade. E estas pessoas têm uma possibilidade maior de manter um carro por mais tempo — comenta Sanson.

Nas grandes cidades, segundo o economista, é mais difícil manter um carro por muito tempo, porque o custo da mão de obra dos consertos tende a crescer conforme a renda das pessoas aumenta.

Sul tem 3,7 automóveis usados para cada novo

A proporção da venda de usados em relação a novos, que vinha caindo progressivamente nos últimos anos, registrou um pequeno crescimento em 2010. Hoje, na Região Sul, é de 3,7 carros usados para cada um novo. Esta alteração é explicada porque os carros novos levam, em média, quatro anos para voltar ao mercado sendo vendidos como usados.

— Há três ou quatro anos percebemos um aumento significativo da venda de carros zero quilômetro. Estes veículos estão retornando agora para o mercado — diz Sergio Ribeiro Werner, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) em SC.

Ele observa, também, que historicamente a venda de usados é quatro vezes superior à de veículos novos. Esta proporção deve ser retomada, conforme a frota for sendo renovada e os preços dos usados continuarem em uma margem “realista”, como define Alessandro Anacleto da Silva, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de SC (Assovesc) .

— O acesso fácil ao crédito e a redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados) favoreceram a venda de carros novos e fizeram com que os preços dos usados, que estavam supervalorizados, caíssem para uma base mais realista —comenta Silva.