O Parlamento português aprovou nesta sexta-feira (26) o orçamento para 2011, que deve permitir ao país reduzir os gastos, mas os cortes podem ser insuficientes para afastar os riscos de um cenário parecido com Grécia ou Irlanda. O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, apontou a medida como solução para fugir da crise.
- Este orçamento inclui medidas muito difíceis e exigentes para todos os portugueses. Mas não há outra alternativa para tirar Portugal do centro de uma crise financeira de grandes dimensões.
O orçamento faz parte de um plano de ajuste que inclui cortes de salários, aumento de impostos e a redução dos benefícios sociais. A aplicação do pacote deve reduzir consideravelmente o poder aquisitivo em um país que tem salário mínimo inferior a R$ 1.822 (800 euros).
A proposta para 2011 busca reduzir o rombo de 7,3% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) previsto este ano para 4,6% no fim de 2011; sendo que o limite de endividamento na zona do euro (bloco de 16 países que utilizam o euro) é de 3% do PIB.
No entanto, a aprovação não foi suficiente para tranquilizar os mercados, convencidos de que Portugal será o próximo país da zona do euro a pedir um resgate financeiro, depois de Irlanda e Grécia.
Pressão
Nesta sexta, o jornal Financial Times Deutschland afirmou que Portugal estava sendo pressionado pelo BCE (Banco Central Europeu) e vários países da zona do euro para que solicite uma ajuda financeira, com o objetivo de evitar um contágio à Espanha, segundo uma fonte do ministério alemão de Finanças. Mas o governo de Portugal negou qualquer pressão do BCE e das nações.
O ministério alemão das Finanças e a Comissão Europeia também desmentiram pressões sobre Portugal. Na quarta-feira, quase três milhões de pessoas aderiram à greve geral convocada pelos dois principais sindicatos portugueses de forma conjunta, o que não acontecia há 20 anos.
Fazem parte da zona do euro atualmente: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal. A UE (União Europeia) inclui ainda: Bulgária, Dinamarca, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Polônia, Hungria, Romênia, Estônia, Lituânia e Letônia.
Entenda a crise
A crise financeira mundial que teve início nos Estados Unidos e atingiu o auge em setembro de 2008 agravou os problemas financeiros de alguns países da Europa como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.
Com o objetivo de evitar um aumento das dívidas, os governos tomaram medidas que incluem elevação de impostos e corte de salários, o que gerou em alguns casos - principalmente na Grécia - insatisfação popular e protestos.
A Irlanda tem também enfrentado problemas em seu orçamento devido à ajuda que o governo prestou aos bancos durante os momentos mais agudos da crise, no ano passado. Em troca da ajuda da UE e do FMI, o governo será obrigado a cortar gastos equivalentes a 10% do PIB. Se o país não cumprir os requisitos estipulados, o FMI terá o direito de intervir a cada trimestre, como faz no caso da Grécia, e exigir mudanças em leis e novas medidas fiscais.