A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) considera que as medidas tomadas hoje pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) vão ao encontro as medidas que a entidade tem tomado por meio da auto-regulação. “Houve muita sensibilidade do Banco Central quanto à nossa capacidade de adaptação”, disse Paulo Caffarelli, presidente da Abecs e vice-presidente do Banco do Brasil para a área de varejo. As decisões do CNM são resultado de estudos do Ministério da Justiça e da Fazenda, com a participação do setor, por mais de dois anos.

Segundo Caffarelli, o setor de cartões vem registrando um crescimento anual de cerca de 20% em faturamento e as medidas são positivas para “sustentar esse crescimento”. “Temos um salto de qualidade nas relações entre o banco emissor e o consumidor”, afirmou.

O CMN determinou a redução do número de tarifas de cerca de 80 para apenas cinco, como a anuidade, a tarifa para solicitação de segunda via, outra para saque em dinheiro, para pagamento de contas de consumo com o cartão de crédito e para revisão dos limites de crédito. “O cliente não sabia o que era uma coisa ou a outra”, diz Caffarelli. “Agora fica mais fácil comparar os cartões.”

Para o presidente da Abecs, a tarifa de anuidade pode até ficar um pouco mais alta em um primeiro momento, já que ela passa a agregar uma série de serviços, antes espalhados por outras tarifas. “Estamos trabalhando num ambiente de forte concorrência. Pode ser que a anuidade aumente um pouco. Mas, com a competição, ela tende a diminuir”, afirma.

O CMN determinou a criação de dois tipos de cartões, o básico e o diferenciado. Para o executivo, o básico atende ao aumento da inclusão bancária, já que muitas vezes o cliente paga por serviços que não usa. “A inclusão bancária, muitas vezes, acontece por meio do cartão de crédito. Muita gente não tem conta corrente.” Ele afirma que há um contingente de 30 milhões de pessoas no País migrando da classe D para a C e a entidade está “otimista” com a possibilidade de atender essas pessoas. “Esse contingente deve manter o crescimento anual de 20% por anos.”

Ele reconhece que o aumento no volume de clientes, em princípio, eleva as taxas de inadimplência no cartão de crédito. Mas, segundo Caffarelli, os bancos têm dado ênfase na educação financeira dos portadores de cartão, explicando que eles têm até 40 dias para uma compra. Passado esse período, caso não paguem, os valores estão sujeitos à cobrança de juros.