Alexandre Tombini, anunciado nesta segunda-feira por Dilma Rousseff como o próximo presidente do Banco Central, é um economista que fez toda sua carreira no governo, e a partir de 1º de janeiro terá a missão de conduzir a política monetária do país.

Tombini, de 46 anos, é o atual diretor de Normas da instituição, cargo que lhe permitiu um contato mais estreito com os bancos, um mundo no qual se movimenta como peixe dentro d'água o atual titular do BC, Henrique Meirelles, que deixará o posto após oito anos.

Desde o início de sua carreira, Tombini ocupou diferentes cargos em departamentos governamentais, tanto no Ministério da Fazenda como no Banco Central, no qual entrou em 1998.

Tombini também desenvolveu parte de sua carreira no exterior, já que entre julho de 2001 e maio de 2005 foi assessor e trabalhou no escritório de representação do Brasil perante o Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, onde participou das negociações dos acordos assinados pelo país com a entidade no período 2001-2004.

Nascido em 9 de dezembro de 1963 em Porto Alegre, Tombini se formou em Ciências Econômicas na Universidade de Brasília, e depois fez doutorado na Universidade de Illinois (EUA), iniciando sua carreira no governo no final de 1991 como coordenador de análise no Departamento de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, cargo que ocupou durante um ano.

Tombini escalou posições e chegou a ser coordenador-geral da Área Externa da Secretaria de Política Econômica, de dezembro de 1992 a janeiro de 1995.

Depois, até 1998, trabalhou no Ministério da Presidência, antes de passar ao Banco Central, onde começou como consultor e desempenhou outras funções até passar, em abril de 2006, ao cargo que exerce atualmente.

Tombini é um homem "criado" no BC, e sua nomeação parece ser uma garantia para os mercados de que não haverá mudanças drásticas na política monetária.

Apesar de sua experiência, os analistas duvidam que Tombini tenha nos mercados a mesma desenvoltura de Meirelles, que fez sua carreira nos bancos privados, concretamente no BankBoston, e chegou à Presidência do Banco Central após se aposentar e de uma breve experiência política.

A nomeação de Meirelles como presidente do Banco Central, no final de 2002, foi uma escolha pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, que na época havia recém-assumido a presidência e precisava de um nome que transmitisse confiança aos mercados internacionais.

Tudo parece indicar que, pelo perfil e a trajetória profissional de Tombini, Dilma o escolheu como sucessor de Meirelles porque necessitava de alguém de confiança como carta de apresentação de sua política monetária para manter as expectativas despertadas pelo país nos últimos anos.