Os vencimentos curtos apontam para cima, enquanto os longos perdem prêmio de risco. Tal desenho da curva continua sugerindo que os investidores esperam um aperto da taxa de juros já no começo de 2011. A crença na alta de juros pode ser justificada pela piora da inflação e pela percepção dos agentes de que o "novo" Banco Central (BC) vai perseguir o centro da meta de inflação, fixado em 4,5%. Antes do ajuste final de posições, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,01 ponto, a 10,70%. Abril 2011 ganhava 0,06 ponto, a 11,01%. Julho de 2011 aumentava 0,07 ponto, a 11,45%. Janeiro de 2012 apontava 11,88%, valorização de 0,06 ponto. E janeiro de 2013 marcava estabilidade a 12,20%. Ente os mais longos, janeiro de 2014 perdeu 0,06 ponto, a 12,10%. Janeiro de 2015 apontava 12,02%, baixa de 0,03 ponto. E janeiro de 2016 recuava 0,09 ponto, a 12,04%. O feriado no mercado americano não teve impacto na tomada de posições. Até as 16h10, foram negociados 1.718.460 contratos, equivalentes a R$ 157,54 bilhões (US$ 91,34 bilhões), alta de 20% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 605.535 contratos, equivalentes a R$ 59,89 bilhões (US$ 34,72 bilhões). Segundo o sócio gestor da Leme Investimento, Paulo Petrassi, o discurso pelo lado fiscal está lindo, mas o mercado não está comprando a ideia de que o próximo governo conseguirá entregar o corte de gastos prometido. Para o especialista, como o consumo doméstico segue firme e a inflação só deverá dar uma trégua no começo de 2011, o Banco Central (BC) deverá atuar o quanto antes. A curva futura já sugere um ciclo de alta de 175 pontos-base na Selic a partir de janeiro. Mas Petrassi não descarta uma antecipação desse ajuste de alta para a reunião dos dias 7 e 8 de dezembro. A taxa básica está fixada em 10,75% desde setembro. Petrassi também lembra que alguns agentes de mercado acreditam que o BC poderá postergar a alta de juros lançando mão de medidas de controle de crédito. Mas tal movimentação também teria um custo político. Ontem, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, confirmou que seu mandato acaba em janeiro. Para o seu lugar, Dilma indicou o diretor de Normas da instituição, Alexandre Tombini. Na Fazenda, conforme amplamente antecipado, segue o ministro Guido Mantega, e para o Planejamento, foi indicada a coordenadora do PAC, Miriam Belchior. Na agenda do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o desempregou voltou a cair e marcou 6,1% no mês de outubro, menor taxa da série histórica, ante 6,2%. O economista do Banco ABC Brasil Felipe França chama atenção a elevação da massa de rendimentos, que em outubro cresceu 11,1% ante o mesmo mês do ano passado, valor bastante superior à média de 2010 (7,0%), e que representa, ainda, uma aceleração em relação a setembro (10,1%), e à média do terceiro trimestre (9,2%). "Apesar da estabilidade na margem, não nos parece haver ainda qualquer tipo de desaceleração no mercado de trabalho", notou o economista, apontando que tal comportamento do emprego aliado à aquecida demanda interna, colocam um grande desafio à nova administração do BC. Na gestão do endividamento público, o Tesouro fez um leilão maior do que o observado nas últimas semanas. Foram ofertados 6,05 milhões de títulos e colocados 5,61 milhões. Das 5,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em outubro de 2011 e janeiro de 2013, foram colocadas 5,165 milhões, movimentando R$ 4,06 bilhões. Foram ofertas 550 mil Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), com vencimentos em janeiro de 2015, 2017 e 2021, e colocadas 450 mil notas. O giro foi de R$ 422 milhões. (Eduardo Campos | Valor)