"O certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver", diz trecho do hino do tricolor gaúcho.
No entanto, especialmente para um garoto gremista, foi o clube que esteve a seu lado há alguns meses, quando ele esteve hospitalizado com risco de morte. E a ajuda veio em forma de hino.
João Victor Goelzer Medeiros vai entrar em campo só no último jogo do Grêmio no Brasileiro, dia 5, contra o Botafogo. Mas, ao completar seis anos, na última quarta-feira, já contou sua história ao elenco e ao técnico Renato Gaúcho, em um treino no Olímpico.
Arquivo pessoal
João Victor no Museu do Grêmio, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre
João Victor no Museu do Grêmio, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre
O garoto se recuperou da doença de Still - uma artrite reumatoide juvenil -, que o deixou 21 dias no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, sendo 15 no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) e cinco em coma induzido, sedado, com respirador artificial. Com risco de morte.
João Victor, segundo os pais e o médico, recuperou -se da doença rara na intensidade que o acometeu graças ao tratamento com antibióticos e corticoides, mas, também, ao estímulo do clube que a família torce.
O garoto, nos dias de CTI, teve o quarto decorado com fotos, bandeiras e ouvia constantemente músicas conhecidas, entre elas várias versões do hino gremista.
"Os médicos nos contaram que o último sentido que a pessoa perde é a audição. Por isso, o estimulávamos assim", lembra a mãe, Adriana Goelzer."De repente, desacordado, entubado, tocou o hino do Grêmio. Ele mexeu a mão, um pouco a cabeça, e os batimentos [cardíacos] aumentaram", conta ela.
O pediatra intensivista João Mafalda Krauzer, que acompanha a recuperação de João Victor, confirma o efeito positivo que os estímulos têm no tratamento.
"Notamos na prática que isso libera hormônios, e eles ajudam na recuperação. Para trazer a criança de volta, ela precisa de algo familiar", declarou Krauzer. "No caso do João, ele é extremamente ligado ao futebol, é a paixão dele. Se fosse uma menina, podia ser a Barbie. O importante é essa colaboração", conclui o médico, que também é gremista.
O garoto deixou o hospital em meados de julho, mas ainda não está totalmente recuperado da doença, que começou como uma infecção no pulmão. Mesmo assim, foi a todos jogos do Grêmio no Olímpico desde agosto, graças a uma promessa do pai, feita ainda no CTI viu o time trocar de técnico e sair da zona de rebaixamento para o sexto lugar no Brasileiro.
Certo dia, quando falava com o filho, o gerente de call center Marcus Medeiros disse que, ao sair do hospital, o levaria a um jogo. Então ouviu: "Quando?". Era a primeira vez que o garoto falava desde a internação.
Neste sábado, às 19h30 (de Brasília), João Victor não vai ao Olímpico. Estava tudo planejado: festa de aniversário no sábado e jogo contra o Atlético-PR no domingo. Mas, na semana passada, a CBF antecipou em um dia o confronto. Festa e jogo coincidiram, o que não diminui a torcida de João Victor, segundo a mãe.
"Foram vários fatores que salvaram meu filho: médicos, hospital, fé, como agimos em cada um dos 21 inacabáveis dias de internação e na volta para casa, até a vibração e o amor que ele nutre pelo Grêmio desde que se conhece por gente. Sem dúvida, ajudou e ainda o ajuda muito", conclui Adriana.