Desde o começo do mês, aos sábados, o SPTV está mostrando reportagens especiais sobre os 130 anos da imigração libanesa. Os libaneses formam uma das maiores colônias de imigrantes da capital. A reportagem deste sábado (20) mostra que as danças típicas e a música árabe caíram no gosto de muitos paulistanos.
A música árabe chega a São Paulo por dois caminhos: direto da África na bagagem dos escravos e pela Europa depois que os mouros conquistaram a Espanha e os portugueses, o Brasil.
“O alaúde é um dos instrumentos mais antigos que a gente tem. Ele foi construído por Deus com quatro cordas, que representavam os quatro elementos da natureza: o ar, a terra, a água e o fogo. No século X, na Andaluzia, um grande músico introduziu a quinta corda, a qual ele denominou a corda da alma. O kanun é um instrumento que representa o som das esferas celestes bailando. A derbake surge do barro, assim como o homem, e representa o ritmo”, afirmou Sami Bordokan, que é alaudista e compositor.
“A derbake consegue produzir tanto sons mais graves como mais agudos”, explicou o músico William Bord.
O alaúde é o ancestral do violão. Já o kanun pode ser considerado o avô do piano.
Um grupo tem um repertório clássico, mas também faz arranjos com instrumentos de origem árabe para músicas brasileiras contemporâneas como Asa Branca, de Luiz Gonzaga, e Trem das Onze, de Adoniran Barbosa.
Os músicos adaptam uma guitarra para tocar música libanesa em uma balada árabe, que acontece no Itaim Bibi, na Zona Sul. Na banda tem apenas um egípcio Khaled Ayad.
“[Na música pop com relação à música mais antiga] As emoções mudam. Hoje mulheres árabes estão usando roupas mais curtas então sai música de minissaia, antigamente não saía. Antes era mais romântica”, afirmou o dono da banda Jihad Smaili.
A banda anima os frequentadores da balada, que não hesitam a começar a dançar. “O que precisa para dançar [música árabe] é não ter vergonha”, disse uma mulher que se divertia na noite paulistana.