As sanções contra o Irã estão surtindo efeito e têm provocado divisões na liderança do país, disse nesta terça-feira o secretário de Defesa americano, Robert Gates, ao argumentar contra um ataque militar como represália programa nuclear de Teerã. Segundo Gates, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, estão cada vez mais em desacordo.

Gates reiterou que um ataque militar apenas adiaria a capacitação nuclear pelo Irã em dois ou três anos. As sanções, diz o secretário de Defesa, "afetaram de forma muito mais dura do que o antecipado pela liderança iraniana". Ao jornal Wall Street Journal, ele contou: "Temos até mesmo evidências de que Khamenei, agora, começa a se perguntar se Ahmadinejad está mentindo para ele sobre o impacto das sanções sobre a economia. E se ele está obtendo as informações corretas em termos de quão problemática está a economia.”

Na última semana, pela primeira vez em mais de um ano, o Irã concordou com um encontro com um representante das seis grandes potências para debater sobre sua iniciativa de enriquecer urânio. Diplomatas e analistas, porém, vêem poucas chances de avanço com relação à disputa.

Tanto Israel como os Estados Unidos afirmam que todas as opções permanecem sobre a mesa no que tange lidar com as ambições nucleares do país. Mas Gates tem discordado publicamente do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a necessidade de impor uma ameaça militar.

Netanyahu endureceu o discruso na última semana, convocando o Ocidente a convencer o Irã de que estaria disposto a desferir uma ação militar a fim de evitar que Teerã produza armas nucleares. Ele afirmou que até agora as sanções econômicas fracassaram. Embora tenha admitido nesta terça-feira que os líderes iranianos "ainda têm a intenção de adquirir armas nucleares," Gates garante que uma ação militar não é uma resposta para o longo prazo.