Christine Lagarde continuará como ministra da Economia da França e François Baroin vai seguir seu trabalho como ministro do Orçamento no novo governo francês, disse Claude Gueant, chefe de gabinete do presidente Nicolas Sarkozy, neste domingo (14).

O anúncio foi feito em meio a um rearranjo ministerial na França, numa tentativa de Sarkozy marcar sua posição 18 meses antes das próximas eleições.

Mais cedo, o presidente da França voltou a nomear seu aliado François Fillon como primeiro-ministro.

Já o ex-primeiro-ministro Alain Juppé vai se tornar ministro da Defesa, em substituição a Herve Morin.

Michele Alliot-Marie substituirá Bernard Kouchner no cargo de ministro das Relações Exteriores, disse Gueant, falando nas escadarias do palácio presidencial.

Brice Hortefeux permanecerá ministro do Interior e Baroin será porta-voz do governo, bem como ministro do Orçamento, segundo Gueant.

Fillon apresentou sua renúncia ao governo no sábado à noite, antes de uma esperada troca ministerial. Num comunicado separado, Fillon disse que planejava entrar numa nova fase de governo com determinação, concentrando-se nas reformas aplicadas desde que assumiu o cargo por primeira vez no começo do mandato de Sarkozy em 2007.

"Depois de três anos e meio de valentes reformas, levadas a cabo apesar de uma severa crise financeira e econômica mundial, estou começando (...) uma nova fase com determinação que permitirá a nosso país fortalecer o crescimento da economia para criar empregos, promover a solidariedade e garantir a segurança de todo o povo francês", disse.

Fillon já passou por vários cargos no governo, incluindo postos nos ministérios do Trabalho, Assuntos Sociais, Educação e Telecomunicações.

Mais mudanças
O chefe de Estado dispensou na nova edição do governo - que deve durar até as presidenciais de 2012 - o centrista Jean-Louis Borloo, que até poucos dias atrás era considerado o sucessor de Fillon, mas que poucas horas antes do anúncio da lista de ministros disse que preferia recuperar sua "liberdade de expressão".

O presidente francês também excluiu o ministro do Trabalho, Eric Woerth. Defendido por Sarkozy nos piores momentos dos últimos cinco meses e acumulando o desgaste pelo escândalo dos supostos favores fiscais à multimilionária Liliane Bettencourt, Woerth sai do governo após ter cumprido a tarefa de conseguir a aprovação parlamentar da alteração na idade de aposentadoria dos franceses.

Ao seguir no cargo, Fillon confirma sua posição na segunda edição de sua chefia de governo, após meses de especulações de que a popularidade do primeiro-ministro, em oposição à grande queda da aceitação do presidente, o faria perder pontos no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa.

O novo Executivo francês conta com um total de 31 membros - sete a menos do que o anterior, entre ministros e secretários de Estado - e é outra tentativa de Sarkozy de introduzir mais mulheres e mais diversidade no governo, como Rama Yade, secretária de Estado de origem senegalesa que já criticou indiretamente o presidente.

Outro detalhe importante da nova lista de ministros é que entre as competências da pasta de Imigração, assumida pelo fiel Hortefeux, que acumulará a pasta de Interior, desaparece a menção à "identidade nacional".

A eliminação da expressão reflete a polêmica iniciativa do próprio Sarkozy, que assistiu à conversão de um debate lançado pelo Governo sobre a "identidade nacional francesa" em arma de defesa de radicais da extrema-direita.

O anúncio da nova lista do governo encerra cinco meses de especulações sobre a orientação do novo Executivo, já que em julho passado o próprio Sarkozy antecipou que no final de outubro daria início à renovação.

Para esta semana está previsto que o presidente apresente as políticas que pretende promover até as eleições presidenciais, nas quais ainda não confirmou se pretende tentar a reeleição.

Membros do novo gabinete francês:

Primeiro-ministro: François Fillon
Defesa: Alain Juppé
Relações Exteriores: Michèle Alliot-Marie
Meio Ambiente e Transportes: Nathalie Kosciusko-Morizet
Justiça: Michel Mercier
Interior: Brice Hortefeux
Finanças e Economia: Christine Lagarde
Trabalho, Emprego e Saúde: Xavier Bertrand
Educação e Juventude: Luc Chatel
Orçamento e Serviço Público: François Baroin
Pesquisa e Educação Superior: Valérie Pecresse
Agricultura, Alimentação, Pesca, Mundo Rural e Território: Bruno Le Maire
Cultura e Comunicações: Frédéric Mitterrand
Solidariedade e Coesão Social: Roselyne Bachelot-Narquin
Desenvolvimento Urbano: Maurice Leroy
Esportes: Chantal Jouanno

Secretarias de Estado:
Relações Parlamentares (Primeiro-ministro): Patrick Ollier
Energia e Indústria (Finanças): Eric Besson
Cooperação Internacional (Relações Exteriores): Henri de Raincourt
Administração Local (Interior): Philippe Richert
Relações Europeias (Relações Exteriores): Laurent Wauquiez
Formação Profissional (Trabalho): Nadine Morano
Ultramar (Interior): Marie-Luce Penchard
Comércio Exterior (Finanças): Pierre Lellouche
Saúde (Trabalho, Emprego e Saúde): Nora Berra
Habitação (Meio Ambiente): Benoist Apparu
Serviço Público (Orçamento e Serviço Público): Georges Tron
Coesão Social (Solidariedade e Coesão Social): Marie-Anne Montchamp
Transportes (Meio Ambiente): Thierry Mariani
Pequenas e Médias Empresas, Turismo e Comércio (Finanças): Frederic Lefebvre
Juventude e Vida Associativa (Educação): Jeannette Bougrab