Reconhecida por sua cerveja de qualidade, a Irlanda também é famosa por seu povo hospitaleiro, pela boa música e por preços mais em conta que os da Inglaterra. Se você planeja estudar na terra do U2, vale lembrar que o país ainda está vivendo o reflexo dos problemas financeiros ocorridos nos Estados Unidos e na Alemanha em 2008 e 2009.

A Irlanda é um país relativamente pequeno, que há cinco anos desfrutava de prosperidade econômica. Agora, assim como a Grécia, precisa se ajustar às turbulências das nações maiores, que acabaram respingando na economia dos menores. "Esse é um país que depende muito da exportação de produtos e serviços, especialmente em segmentos como telemarketing e informática", explica o economista e professor da UFMG, Gustavo Britto. Para quem quer estudar, ele lembra que o sistema educacional continua bastante qualificado e que isso não deve se alterar com a crise.

Normalmente, a Irlanda mostra-se o destino ideal para aqueles que possuem um orçamento apertado na viagem. É que as leis nacionais permitem que, caso o aluno estude em torno de 6 meses, ele pode trabalhar durante todo o período e por ainda outro semestre. "É perfeito para quem precisa de uma ajuda de custo e tem a disponibilidade de ficar um ano fora", afirma a gerente de produto da Central de Intercâmbio, Luiza Vianna.

Mas devem ficar espertos os intercambistas que pretendem fazer aulas de inglês e também arranjar uma renda extra para cobrir os seus custos. "Quando uma economia entra em crise, ela fecha as possibilidades de trabalho para o estrangeiro", lembra Britto. Isso ocorre especialmente no caso dos empregos de nível de qualificação mais baixo, cargos que esses estudantes costumam buscar na Europa. Nesse momento, eles terão que competir com os próprios irlandeses e com os outros europeus, que podem trabalhar legalmente ali.

Britto, que já morou no Reino Unido, não tem expectativas positivas para a resolução do problema irlandês. As medidas que foram tomadas não são soluções a curto prazo, porque configuram basicamente o corte de gastos. "O que resolve rápido é o aumento de gasto, como o aumento da oferta de empregos", diz. Se a intenção é focar apenas nos estudos e não há a necessidade de lavar pratos ou servir pints nos pubs, o economista mostra o lado bom da recessão: uma moeda enfraquecida. "Para quem vai financiar em real os seus estudos, vale a pena ir agora, porque o euro está desvalorizado".

País possibilita experiência mais autêntica
Quem já passou por Londres sabe: lá encontra-se gente dos lugares mais variados do mundo. Ingleses mesmo se veem pouco e é ainda mais difícil fazer amizade com esses nativos já tão acostumados a uma cidade multicultural.

A gerente de produto da Central de Intercâmbio, Luiza Vianna, garante que na Irlanda é diferente. "É um povo mais aberto, hospitaleiro, que gosta de receber estrangeiros". Voltar para o Brasil com amigos autenticamente irlandeses não é difícil.

Outro ponto positivo é que o país ainda não foi dominado pelos nossos conterrâneos, ao contrário da capital inglesa. Para quem quer se livrar mesmo da presença de outros brasileiros e entrar de cabeça nos estudos, Luiza indica a cidade de Galway, no interior da Irlanda. Com cerca de 400 mil habitantes, é mais tranquila que Dublin e costuma ter festivais durante o ano inteiro.