O número de famílias chefiadas por mulheres aumentou nos últimos dez anos, de acordo com análise feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad). No estudo, divulgado nesta quinta-feira, foi constatado que o número de famílias nas quais a mulher é a chefe subiu de 27% em 2001 para 35% em 2009, o que representa 21.933.180 famílias.

O aumento foi percebido em todas as regiões: no Sul, houve o maior avanço, passando de 24,4% em 2001 para 33% em 2009 o índice de famílias chefiadas por mulheres. No Sudeste, a região com o segundo maior crescimento no número de famílias chefiadas por elas, o avanço foi de 28% para 36%.

Metade dessas famílias - 49,3% - é composta por mulheres sem cônjuge. As famílias chefiadas por elas são 17,3 % do total das famílias brasileiras. A Região Nordeste foi a que apresentou a maior proporção desse tipo de família, 19,5%, seguido pela Região Norte, com 18,8%. A Região Sul apresentou o menor percentual, 13,9%. No caso dos casais com ou sem filhos, a Região Norte tem 10,4% de famílias chefiadas por mulheres, o que supera a média nacional, de 9,2%.

Segundo a chefe de Pesquisa do Ipea, Natalia Fontoura, esse fenômeno tem a ver com a maior participação das mulheres no mercado de trabalho. "O mais importante talvez seja a participação das mulheres no mercado de trabalho. Mas também há a forma como as mulheres estão se inserindo nos diferentes espaços públicos e as mudanças culturais em relação aos lugares ocupados por homens e mulheres na sociedade", afirmou Natalia.

A análise mostra que, nas famílias chefiadas por mulheres sem cônjuge, 59,1% delas têm emprego. As mulheres chefes de família com cônjuge e que estão empregadas representam 55,6%. Na comparação com os homens chefes de família, mais de 80% deles, em ambos os casos, estão trabalhando.

Outro dado destacado pelo Ipea é o de que 50,4% das mulheres chefes de família sem cônjuge têm ocupações de melhor qualidade do que os homens. Enquanto nas famílias chefiadas por mulheres que têm cônjuge, 43,9% delas têm uma ocupação de melhor qualidade.

O estudo, chamado "Primeiras Análises: Investigando a Chefia Feminina de Família", é o quarto da série de análises do Ipea sobre a Pnad, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).