Ainda que tenha subido quatro posições no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o Brasil viu seu desempenho minguar quando o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) destrinchou seu estudo para acomodar um novo cálculo: o IDH ajustado à desigualdade.
De acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira (4), o Brasil viu a distância que o separa de nações com desenvolvimento humano mais elevado aumentar em 27,2%. Com isso, perdeu 15 posições e ficou no 88º lugar quando comparado com outros 140 países, com 0,509 pontos numa escala que vai de 0 a 1.
Ainda analisando a colocação do Brasil, o resultado mostra uma queda maior que a média mundial, que foi de 21,7%, e ainda pior em relação ao grupo de países de desenvolvimento humano elevado, na qual o Brasil foi classificado e onde estão outros latino-americanos como Chile, México e Uruguai.
Ainda dentro desse grupo, o Brasil só não teve perdas superiores ao Peru (queda de 30,7%), Belize (28,7%), Colômbia (28,6%), Panamá (28,3%) e Argentina (27,5%).
A perda global no IDH ajustado à desigualdade desse grupo foi de 19,8%, um pouco superior ao do grupo com o IDH muito elevado, onde figuram países como Noruega, Austrália, Estados Unidos e Canadá, por exemplo, que teve uma queda de apenas 10,2%.
Para calcular o IDH ajustado à desigualdade, o Pnud leva em consideração os investimentos e resultados obtidos na educação, na saúde, na distribuição de alimentos e nos rendimentos per capita. E o Brasil foi mal em todos aos itens avaliados.
A distribuição de renda, apesar dos programas de transferência do governo, como o Bolsa Família, impactaram negativamente o IDH brasileiro em 37,6%. Isso não quer dizer que há mais pobres hoje em dia, mas sim que há uma distância maior entre eles e os ricos, como explica Jeni Klugman, principal autora do estudo.
- O IDH ajustado à desigualdade demonstra que, em muitos países, apesar das realizações médias globais do desenvolvimento, muitas pessoas são deixadas para trás.
Seguindo as perdas, a educação teve uma queda de 25,7% no índice e a expectativa de vida, perda de 16,6%.
No entanto, grande parte dessa piora pode ser atribuído a uma maior rigidez do Pnud na hora de colher os dados. Com as mudanças feitas na metodologia do estudo, critérios como taxa de alfabetização e matrícula foram substituídos por anos de estudo.
Tal rigidez também foi aplicada aos países com IDH muito elevado, que mostraram quedas nos seus índices. No caso da Coreia do Sul houve uma queda de 25,5% na educação. Já os Estados Unidos e Portugal registraram perdas de 23,5% e 23,9%, respectivamente, nos rendimentos per capita. Segundo o Pnud, a justificativa para isso é que, enquanto os países vão evoluindo, os métodos de pesquisa do organismos da ONU também precisam ser revisados.