A Ucrânia foi às urnas neste domingo para escolher prefeitos e representantes de conselhos, em uma eleição que deverá dar as primeiras pistas sobre a posição do presidente Viktor Yanukovich em seu país, desde que ele venceu a disputa eleitoral, em fevereiro.
O Partido das Regiões, espinha dorsal da maioria parlamentar que apoia Yanukovich, está desafiando uma série de partidos rivais na disputa dos conselhos locais, que serão responsáveis em implementar as políticas de reforma econômica do governo.
Na disputadíssima eleição realizada em fevereiro passado, na qual Yanukovich derrotou a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, não faltaram acusações de fraude eleitoral. A própria Tymoshenko, que lidera o Partido Pátria e que segue sendo a principal rival de Yanukovich, disse, na véspera do pleito: "Não há limites para o que essas pessoas são capazes de fazer. Eles irão fraudar as urnas. Pode contar com isso."
Iryna Bekeshkina, do instituto de pesquisas políticas Iniciativa Democrática, disse à Reuters que as eleições seriam o primeiro teste democrático do partido governista. "Mas o perigo que estas eleições representam para a democracia é muito alto", acrescentou.
Alguns partidos de oposição dizem que foram identificadas cédulas eleitorais falsificadas em Kharkiv, no leste da Ucrãnia, assim como em outras partes do país. Eles também acusam o Partido das Regiões de explorar uma vantagem injusta, ao utilizar recursos do governo, como veículos oficiais para mobilizar eleitores. "Haverá muita tentação por parte das autoridades em utilizar recursos administrativos, mas isso seria um grande perigo para eleições futuras", disse Bekeshkina.
O Partido das Regiões, de Yanukovich, é forte na densamente povoada região leste do país, cujo idioma predominante é o russo e que constitui a principal base do atual presidente. Tymoshenko é forte nas regiões central e oeste do país, cujo idioma principal é o ucraninano.
Algumas pesquisas de opinião indicam que o apoio ao Partido das Regiões caiu desde que Yanukovich assumiu o poder na ex-república soviética. Segundo analistas, isso pode ser justificado, em parte, pelo fato de o governo não ter cumprido algumas de suas promessas de campanha, como melhorar a situação do comércio local e oferecer isenções de impostos para pequenos comerciantes.
Existe também um forte ressentimento contra o forte aumento dos preços do gás nacional - por pressão do Fundo Monetário Internacional - e em relação ao programa de reforma da aposentadoria proposto pelo governo, que pretende aumentar a idade de aposentadoria de homens e mulheres para 65 anos.